terça-feira, 30 de setembro de 2014

Reforma



Vou tirar uns dias de licença, que me autoconcedo, deste blogue, porque ele está perdendo um de seus fundamentos, que é a desocupação. Estamos procedendo a reforma no nosso apartamento, e o convívio com os fornecedores de material e a mão de obra requer tempo integral, neste país de oligopólios. É preciso muuuuita atenção e pesquisa para buscar economias. 

Reformar não é só transformar o ambiente, que por sua vez induz também a uma transformação pessoal. É bonito e refrescante ver ao seu redor a coisa se repondo mais nova. E alinhada o mais possível com as vibrações cósmicas, como entendem os chineses

O blogue volta quando abandonarmos as obras. Até lá haja paciência. Muita paciência. 

domingo, 28 de setembro de 2014

Marmita



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Esta postagem teve como inspiração um bonito filme indiano que tive oportunidade de assistir nesta semana cujo título em inglês é "The lunchbox", o nome que é dado à nossa velha conhecida, a marmita. Em Bombaim tem um engenhoso sistema de entrega da marmita feita em casa chegando no local de trabalho praticamente na hora do almoço. Uma distribuição assemelhada à usada pelo correio.

O enredo do filme parte de um engano improvável na entrega, o que resulta no estabelecimento de relações entre um trabalhador em vias de se aposentar e a mulher que é infeliz no casamento: comunicam-se através de bilhetes colocados na marmita. O final é claro não devo contar.

Uma herança semiantropológica que as mulheres carregam é a de assumir responsabilidades sobre a alimentação da família, muitas vezes formando o paladar de cada um de seus membros. As mães iranianas preparam o cardápio com alimentos considerados "quentes" ou "frios" da acordo com sua percepção do estado "quente" (agitado) ou "frio" (modorrento) de cada filho.

Foi muito o meu caso, durante o curso primário. Ia para a escola à tarde e fazia a lição de casa de manhã ouvindo a fumaça sair da panela de pressão, o rádio passando programa de "variedades", Ia brincar na rua, tomava banho e esperava papai chegar para almoçarmos aquela comida caseira e quentinha, de base libanesa.   

Com o progresso, veio nova divisão do tempo, que firmou o distanciamento entre a casa e o local de trabalho, e cada vez menos as pessoas vão para casa almoçar. O sistema de entrega em Bombaim busca encurtar esta dificuldade de um trabalhador poder se alimentar de "sua" comida do dia. Alternativa ao soul food, vimos o fast food se estabelecendo. 








terça-feira, 23 de setembro de 2014

Kahena





Kahena (a da frente) e Martine (a de trás)

A amizade com os Kunze, Audrey e Cláudio, germinou a partir daquela entre os nossos filhos, da mesma idade, e que brincavam juntos. Morávamos no mesmo condomínio. Erik e Francisco frequentaram a mesma escola maternal, que ficava do outro lado da rua. Fomos morar nos Estados Unidos, quando o Francisco tinha quase 3 anos, e voltamos 3 anos depois, para o mesmo apartamento. Logo que voltamos, soubemos pelo Erik, meio mal explicado, que estava para ganhar uma irmãzinha. Acompanhamos como vizinhos próximos a vinda da Kahena, e a vimos crescendo vítima de repetidas molecagens da dupla Erik-Francisco -- que chegou a ser conhecida por Xitãozinho e Xororó. 

Os Kunze formavam uma tradicional linhagem na vela. Seu Edgar, o opa, pai do Cláudio, era o comodoro do Iate Clube de Santo Amaro, clube do Robert Scheidt. Cláudio, ele mesmo campeão da classe pinguim, trabalha no projeto e acompanhamento da construção de lindos barcos e veleiros. Não era portanto sem um DNA que a Kahena prosperava como velejadora e um encanto de menina. Pelo que me explicaram, a escolha de seu nome único (pelo menos nunca conheci outra) se deve a uma forte personagem que foi rainha de muitas tribos bárbaras, e amante da natureza. Mas no caso a pessoa faz o nome.

Pois não é que ela, em dupla com a Martine Grael, se tornou campeã mundial de vela na classe 49er FX, em competição realizada na semana passada em Santander, na Espanha?


Por uma desta coincidências, encontramos os Kunze no Rio de Janeiro, onde moram hoje, e, contaminado, acabei por compreender um pouco mais esta "coisinha maluca" chamada se sentir orgulhoso. Já estou tomando assento nesse barco navegando em direção ao ouro olímpico.  

domingo, 21 de setembro de 2014

Dia da árvore -- 21 de setembro


Centenário cedro do Líbano


Velhas Árvores
(Olavo Bilac)

Olha estas velhas árvores, mais belas 
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...
O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.
Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:
Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

No Grand Canyon




Nos fins de tarde
Se põe
O sol
Por testemunha

Árido chão
O rio erodiu
E fez colorada
A ribanceira

Séculos de
Intemperismo
Soam
Intemporais

Semi-sonolência
Lógica
Dos processos
Geológicos

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Contadores de histórias


Eduardo Lima (Barreiras, Bahia), "O contador de história", óleo sobre tela (80 x 100)


A prática da blogagem baseada em contar "causus" guarda muito da essência do contatador de histórias. Fico olhando essa pintura, e imaginando o quanto um blog carece de interatividade pela ausência física de uma platéia... 

Eu também gostava muito de contos infantis, cheios de fantasias, que pude ler criança. Me recordo, em especial, de uma coleção encadernada de livros de contos do Malba Tahan, que ganhei dos meus pais. 

Mas não substituía a história contada, seguindo a tradição oral. Foi o que recebi de uma pessoa simples, cujo nome nem me lembro, empregada doméstica na casa dos meus tios Júlia e Jamil, que ficava três casas ao lado da minha, Ia correndo sentar no chão da edícula, no fundo do quintal, para ouvir seu repertório de estórias de reis, príncipes, mágicos, soldados, ladrões e os temíveis piratas, que ela me contava enquanto passava roupa. 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Interrompi o trânsito da San Francisco Bay Bridge




O "causu" é o seguinte:

Me ofereci (perdão pela próclise começando a frase) quando estudava em Berkeley para levar minha colega e amiga Josefa, uma outra estudante brasileira que fazia pós em Estatística, até o aeroporto de Oakland, de onde partia seu voo para o Brasil.

No caminho a gente passa por um emaranhado de pistas quando hesitei. Ao invés de acreditar na sinalização, optei por outro desvio -- o que saia para os lados do aeroporto. O fato é que um passava em cima do outro e acabei entrando no caminho que levava à San Francisco, através da Bay Bridge.

Atravessar a ponte -- e depois retornar -- iria me custar tempo precioso com risco da Josefa perder o vôo internacional.

Antes da entrada da ponte tinha um pedágio. Expliquei para o moço da cabine que eu estava indo na direção que não queria. Ele apertou um botão que ficava embaixo da mesa, o que deixou vermelho todos os sinais. Parou todo o trânsito para que eu pudesse dar meia volta e retornar de forma a retomar o caminho do aeroporto. Nem o pedágio do ir nem o do voltar foram cobrados!

Moral da história: Pode ser melhor seguir instruções que intuições.


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Duzentos



Não é limite de velocidade, é o número de postagens que este blogue atinge. 

Prova de que as escolhas prevalecem sobre a proporção, duzentos, que é o dobro de cem, ao contrário de ter o dobro de sua importância, pouco tem representado em nossas vidas. Das poucas referências mais "semimetafísicas", a repetida admoestação: "Já te disse duzentas vezes".

sábado, 6 de setembro de 2014

Um e noventa e nove



Pois é! Com a presente completam-se 199 postagens, neste blogue. Um número que me fez lembrar as lojinhas que anunciam a venda produtos a R$ 1,99. (Quase sempre acompanhado de um minúsculo "a partir de"). São reencarnações das "dime stores" que proliferavam nos Estados Unidos até meados do século passado. Vendem de tudo: quinquilharia em geral, produtos de limpeza e de papelaria, pirulitos, guarda-chuvas que duram uma chuva, lenços para amarrar no pescoço, bijuterias, caixinhas de plástico, bolinhas de gude, ioiôs, agulha e linha, velas e outros artigos de festa etc. Na época de Natal, bolinhas coloridas e miniaturas para decorar a árvore.

Fico me perguntando até que ponto, pelo que oferece, este blogue não acabou sendo uma realização subconsciente de uma lojinha de um e noventa e nove que, como um libanês legítimo, eu teria gostado muito de ter.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Dante que ajudei a erigir



Estive hoje assistindo a um Seminário sobre "Reurbanização dos negócios na cidade do Século XXI" no auditório da Biblioteca Municipal e aproveitei para passar na praça dom José Gaspar que ocupa o resto da quadra. Fui lá para fazer uma visita ao Dante Alighieri, esculpido pelo Bruno Giorgi, contando com minha colaboração financeira.

Explico: no ano de 1954, algumas iniciativas foram tomadas para marcar o quarto centenário da fundação da cidade de São Paulo. Comunidades estrangeiras registravam sua presença na sociedade paulista através de esculturas de seus mais importantes literatos no entorno da biblioteca. Eu era então aluno do curso primário do colégio Dante Alighieri, onde foi "passado o chapéu" para arrecadar recursos para uma escultura de seu patrono, e me lembro de ter feito uma contribuição -- com o dinheiro de meus pais.

Dante está partilhando a sombra das árvores da praça com Cervantes, sentado, e a cabeça de Goethe.




terça-feira, 2 de setembro de 2014

It was the third of September The day I'll always remember...

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Papa was a Rolling Stone

It was the third of September
The day I'll always remember, yes I will
'Cause that was the day that my daddy died
I never got a chance to see him
Never heard nothing but bad things about him
Mama, I'm depending on you, to tell me the truth

And mama just hung her head and said,
Son, papa was a rollin stone...my son 'now
Wherever he laid his hat was his home
And when he died, all he left me was alone
eh! eh! eh! eh..
Papa was a rollin' stone, my son
Wherever he laid his hat was his home
And when he died, all he left me was alone

Well, well