
Esta postagem teve como inspiração um bonito filme indiano que tive oportunidade de assistir nesta semana cujo título em inglês é "The lunchbox", o nome que é dado à nossa velha conhecida, a marmita. Em Bombaim tem um engenhoso sistema de entrega da marmita feita em casa chegando no local de trabalho praticamente na hora do almoço. Uma distribuição assemelhada à usada pelo correio.
O enredo do filme parte de um engano improvável na entrega, o que resulta no estabelecimento de relações entre um trabalhador em vias de se aposentar e a mulher que é infeliz no casamento: comunicam-se através de bilhetes colocados na marmita. O final é claro não devo contar.
Uma herança semiantropológica que as mulheres carregam é a de assumir responsabilidades sobre a alimentação da família, muitas vezes formando o paladar de cada um de seus membros. As mães iranianas preparam o cardápio com alimentos considerados "quentes" ou "frios" da acordo com sua percepção do estado "quente" (agitado) ou "frio" (modorrento) de cada filho.
Foi muito o meu caso, durante o curso primário. Ia para a escola à tarde e fazia a lição de casa de manhã ouvindo a fumaça sair da panela de pressão, o rádio passando programa de "variedades", Ia brincar na rua, tomava banho e esperava papai chegar para almoçarmos aquela comida caseira e quentinha, de base libanesa.
Com o progresso, veio nova divisão do tempo, que firmou o distanciamento entre a casa e o local de trabalho, e cada vez menos as pessoas vão para casa almoçar. O sistema de entrega em Bombaim busca encurtar esta dificuldade de um trabalhador poder se alimentar de "sua" comida do dia. Alternativa ao soul food, vimos o fast food se estabelecendo.
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