quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Fim de uma etapa




A "virada" de ano é sempre um momento de fazer e rever planos de vida. Desta vez fiz um balanço sobre a atividade de produzir este blogue de um semidesocupado, que pouco a pouco se tornou parte do meu dia a dia.

Usar o formato de redação e divulgação que um blogue oferece caiu como sopa no mel para exercer meu antigo gosto pela crônica, tornado possível quando pude dispor de tempo em decorrência de minha aposentadoria (ou semi) como professor da Universidade de São Paulo.

A cada postagem, usava a liberdade de experimentar formatos e temas, bosquejando uma "cara" para o blogue. Me serviu também para que abrisse um espaço de memória e afeto onde guardava fatos interessantes que em 68 anos de pude vivenciar, em geral sozinho. A isso se somaram alguns poucos poemas, homenagens, e bobagens, e quando dava uma pitada de humor.

Analisando os resultados semiliterários do blogue, senti que chegou o momento de ter uma nova experiência com a escrita,  Uma coisa mais parecida com um livro, com elementos autobiográficos, fotos e imagens, desta vez exigindo mais fôlego, e um pouco de rigor e pesquisa.

Assim não vou dispor por algum tempo daquela semidesocupação que viabilizava o presente blogue. Estarei semiocupado com este novo projeto, para o qual espero contar com o melhor apoio e rezas.




sábado, 9 de janeiro de 2016

"Unsafe driver"







Como todo mundo, eu acho, também tenho explicações para cada multa de trânsito que recebo.

Em 1972/1973, meu primeiro ano como estudante de mestrado, morei na cidade de Palo Alto, E minha primeira multa foi numa madrugada, retornando da casa de um colega com quem tinha ido estudar. Peguei aquela faixa à esquerda pintada com uma flecha entortada, indicado que era exclusiva para fazer a conversão. (Mais uma destas americanices que ainda não tinha chegado no Brasil). Percebi então que me enganara: eu deveria entrar à esquerda na rua seguinte, e segui em frente. De repente, vindo não sei da onde àquela hora da madrugada, sem trânsito, um farol forte me ofuscou o retrovisor. Parei é claro, e um policial com megafone me ordenou que não saísse do carro. Sempre com a lanterna no meu rosto, pediu para verificar meus documentos e o do veículo, meu mustangue vermelho. Me deu a multa e fui dispensado.

A segunda multa foi um pouco mais emocionante. Estava indo levar um colega brasileiro até o aeroporto pela Highway 101, quando vi uma faixa adicional à direita e nela entrei, em velocidade. Aquele pedaço da rodovia ficava em cima de um tipo ponte, cujo projeto incluía uma faixa de trânsito extra prevendo uma futura ampliação. O que não percebi é que esta faixa extra à direita não estava ainda aberta para o trânsito, servindo de acostamento -- onde havia um carro da polícia rodoviária estacionado.  NOOOOOSSSSAAA! ia quase batendo!

É claro o guarda me parou, e chegou educadamente: "How are you today?". Pediu meus documentos, e começou a falar num crescendo de voz que ele costumava ficar ali estacionado para monitorar o trânsito; que tinha família e filhos que eu poderia ter deixado órfãos. Desta vez o fato de ser estrangeiro ajudou a amainar um pouco a ira da autoridade, mas acabei herdando minha segunda multa.

Quando chegou a época de renovar a licença, recebi uma carta assinada pelo Ronald Reagan, então governador do estado da Califórnia me declarando oficialmente um "unsafe driver".

Mas este causu, teria mais um capítulo. Muitos anos depois, estava com com o Marcos Pimenta, meu colega desde o ginásio, na Poli e em Stanford, e relembrando nossos anos na California, contei para ele sobre esta carta do governador, e ele ficou semi-emocionado. Me contou que naquela mesma ocasião, a Mônica, sua mulher, tinha também recebido uma carta do governador Reagan, cumprimentando-a por ter passado um ano sem receber multas!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

300



Esta postagem é a de número 300 neste blogue. Vou consolidar o que pode aqui virar uma tradição Dediquei à presença do número 100 a postagem de número 100 (http://semidesocupado.blogspot.com.br/2013/11/100_29.html). E ao número 200 a postagem de número 200. (http://semidesocupado.blogspot.com.br/2014/09/duzentos.html)

E agora, 300, numa progressão aritmética de razão 100, Como das vezes anteriores fui até o fundo da memória buscar algum 300 que me fosse importante. Como nada me fez lembrança recorri ao Google, nossa memória externa virtual, e achei a referência a um filme de batalha, de 2007, com um poster impressionante. Era sobre a Batalha das Termópilas, em que 300 espartanos enfrentaram um exército de pelo menos 300.000 persas,

Não assisti ao filme. Se tivesse passado quando eu era criança com muita certeza teria ido: não perdia um destes filmes de batalhas, os meus preferidos quando ainda não distinguia realidade de ficção. Me juntava ao resto da criançada torcendo e gritando para o lado do bem, que sempre vencia.