Como todo mundo, eu acho, também tenho explicações para cada multa de trânsito que recebo.
Em 1972/1973, meu primeiro ano como estudante de mestrado, morei na cidade de Palo Alto, E minha primeira multa foi numa madrugada, retornando da casa de um colega com quem tinha ido estudar. Peguei aquela faixa à esquerda pintada com uma flecha entortada, indicado que era exclusiva para fazer a conversão. (Mais uma destas americanices que ainda não tinha chegado no Brasil). Percebi então que me enganara: eu deveria entrar à esquerda na rua seguinte, e segui em frente. De repente, vindo não sei da onde àquela hora da madrugada, sem trânsito, um farol forte me ofuscou o retrovisor. Parei é claro, e um policial com megafone me ordenou que não saísse do carro. Sempre com a lanterna no meu rosto, pediu para verificar meus documentos e o do veículo, meu mustangue vermelho. Me deu a multa e fui dispensado.
A segunda multa foi um pouco mais emocionante. Estava indo levar um colega brasileiro até o aeroporto pela Highway 101, quando vi uma faixa adicional à direita e nela entrei, em velocidade. Aquele pedaço da rodovia ficava em cima de um tipo ponte, cujo projeto incluía uma faixa de trânsito extra prevendo uma futura ampliação. O que não percebi é que esta faixa extra à direita não estava ainda aberta para o trânsito, servindo de acostamento -- onde havia um carro da polícia rodoviária estacionado. NOOOOOSSSSAAA! ia quase batendo!
É claro o guarda me parou, e chegou educadamente: "How are you today?". Pediu meus documentos, e começou a falar num crescendo de voz que ele costumava ficar ali estacionado para monitorar o trânsito; que tinha família e filhos que eu poderia ter deixado órfãos. Desta vez o fato de ser estrangeiro ajudou a amainar um pouco a ira da autoridade, mas acabei herdando minha segunda multa.
Quando chegou a época de renovar a licença, recebi uma carta assinada pelo Ronald Reagan, então governador do estado da Califórnia me declarando oficialmente um "unsafe driver".
Mas este causu, teria mais um capítulo. Muitos anos depois, estava com com o Marcos Pimenta, meu colega desde o ginásio, na Poli e em Stanford, e relembrando nossos anos na California, contei para ele sobre esta carta do governador, e ele ficou semi-emocionado. Me contou que naquela mesma ocasião, a Mônica, sua mulher, tinha também recebido uma carta do governador Reagan, cumprimentando-a por ter passado um ano sem receber multas!
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