Notei que os cronistas que me servem de exemplo e inspiração tiram férias: algumas vezes, abro a página do jornal ou da revista onde deveria aparecer a crônica e está uma coisa diferente... Meio encafifado porque estamos em tempo em que a grande imprensa se enxuga, encontro alívio ao ver uma notinha dizendo que o colunista se encontra em férias.
A tamanho relativo da semidesocupação oscila, e de repente, como flechadas de índio numa emboscada, uma série de eventos me deixou praticamente des-desocupado com muito pouco tempo para cronicar direito. Neste contexto, achei que o mais adequado é tirar uma férias da blogagem. O padrão é um mês, como está na nossa Constituição. É o tempo para retornar ao padrão de semidesocupação compatível com o aqui esperado
domingo, 9 de março de 2014
terça-feira, 4 de março de 2014
Cinema
Paco de Lucia, no filme Carmen, de Carlos Saura
Sou de uma geração que cresceu na magia do cinema.
Quando criança, ir ao cinema era praticamente o programa de lazer nos fins de semana. Tinha que sair de casa para a matinê, com um casaco tricotado pela mamãe, amarrado na cintura, mesmo que fizesse um calor de amargar.
Em algumas salas, antes do filme passava um seriado, que terminava com o herói se afogando, mordido por um jacaré e sendo flechado por aborígenes. Na semana seguinte, o filme seriado recomeçava neste ponto, e íamos ansioso querer saber como é que o "mocinho", que honrava esta condição, conseguia se livrar de tudo isso, e ainda encurralar todos os inimigos.
Fui pouco a pouco conhecendo e amando astros do cinema, diretores, trilhas sonoras. O cinema de arte me pegou no colegial. E fui desenvolvendo a cinefilia, lendo as críticas, com muitos"papos-cabeça" na pizza com chope, depois da sessão.
Ontem à noite, foi transmitida pela televisão, "para bilhões de espectadores", a premiação do Oscar, que coincidiu com o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Uma passarela de celebridades, a red carpet, e a outra onde que elas desfilavam com o povão, o sambódromo.
Numa parte da cerimônia do Oscar são homenageados aqueles que faleceram desde a premiação anterior, que aparecem na telinha alguns poucos segundos que nos permitem relembrar dos encontros que mantivemos na sala escura. Neste ano, foi mencionado o Eduardo Coutinho, grande documentarista, cujo filme "Edificio Master" usei em aula de graduação na FAU-USP, para exemplificar a diversidade na demanda habitacional, que renda e ciclo de vida só não conseguem explicar.
No vídeo anexo, uma cena do filme Carmen, no qual aparece outro que acaba de se tornar mais uma estrela no andar de cima (uso a expressão da amiga Rosa Maria Panicali). Paco de Lucia faleceu aos 66 anos, minha idade.
sábado, 1 de março de 2014
Marchinhas de carnaval
"Doutor eu não me engano, meu coração é corinthiano"
O que guardo como parte essencial do “tríduo momístico” são as chamadas “marchinhas carnavalescas”, aquela fusão de irreverência com simplicidade musical, com rimas (mesmo quando pobres) gaiatas, como estas que valem o registro:
Atravessando o deserto do Saara
O sol estava quente e queimou a nossa cara
Rio de Janeiro cidade que nos seduz
De dia falta água de noite falta luz
Eu mato, eu mato
Quem roubou minha cueca pra fazer pano de prato
Maria Sapatão, sapatão, sapatão
De dia é Maria, de noite é João
Sassassaricando, todo o mundo leva a vida no arame
Sassassaricando, a viúva o brotinho e a madame
Eram praticamente sem poesia, e usavam a melodia da frase verbalizada, mas com a graça e o ritmo certo para o deleite de um cantor de chuveiro, entre os quais me incluo. A gente é levado à soltar a voz no final em uníssono com o resto do salão.
É claro que sempre apareciam lindas e bem compostas marchinhas, como as Pastorinhas, Máscara Negra, Cidade Maravilhosa, que acho não devem ser rotuladas como “marchinha de carnaval”, são parte do mainstream de nosso cancioneiro.
Tenho ido a carnavais por aí e é comum não ser tocadas estas marchinhas. Exceções como o cordão do Bola Preta incluem no seu repertório, bem como os chamados Bailes da Saudade.
Noto também que não tem sido mais compostas. O que mais se ouve é mais a tradição chicleteira que nos manda a Bahia e o sertanejo, que fazem sucesso no rádio.
Marchinhas de Carnaval, uma alegre transgressão cultural.
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