"Doutor eu não me engano, meu coração é corinthiano"
O que guardo como parte essencial do “tríduo momístico” são as chamadas “marchinhas carnavalescas”, aquela fusão de irreverência com simplicidade musical, com rimas (mesmo quando pobres) gaiatas, como estas que valem o registro:
Atravessando o deserto do Saara
O sol estava quente e queimou a nossa cara
Rio de Janeiro cidade que nos seduz
De dia falta água de noite falta luz
Eu mato, eu mato
Quem roubou minha cueca pra fazer pano de prato
Maria Sapatão, sapatão, sapatão
De dia é Maria, de noite é João
Sassassaricando, todo o mundo leva a vida no arame
Sassassaricando, a viúva o brotinho e a madame
Eram praticamente sem poesia, e usavam a melodia da frase verbalizada, mas com a graça e o ritmo certo para o deleite de um cantor de chuveiro, entre os quais me incluo. A gente é levado à soltar a voz no final em uníssono com o resto do salão.
É claro que sempre apareciam lindas e bem compostas marchinhas, como as Pastorinhas, Máscara Negra, Cidade Maravilhosa, que acho não devem ser rotuladas como “marchinha de carnaval”, são parte do mainstream de nosso cancioneiro.
Tenho ido a carnavais por aí e é comum não ser tocadas estas marchinhas. Exceções como o cordão do Bola Preta incluem no seu repertório, bem como os chamados Bailes da Saudade.
Noto também que não tem sido mais compostas. O que mais se ouve é mais a tradição chicleteira que nos manda a Bahia e o sertanejo, que fazem sucesso no rádio.
Marchinhas de Carnaval, uma alegre transgressão cultural.
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