Paco de Lucia, no filme Carmen, de Carlos Saura
Sou de uma geração que cresceu na magia do cinema.
Quando criança, ir ao cinema era praticamente o programa de lazer nos fins de semana. Tinha que sair de casa para a matinê, com um casaco tricotado pela mamãe, amarrado na cintura, mesmo que fizesse um calor de amargar.
Em algumas salas, antes do filme passava um seriado, que terminava com o herói se afogando, mordido por um jacaré e sendo flechado por aborígenes. Na semana seguinte, o filme seriado recomeçava neste ponto, e íamos ansioso querer saber como é que o "mocinho", que honrava esta condição, conseguia se livrar de tudo isso, e ainda encurralar todos os inimigos.
Fui pouco a pouco conhecendo e amando astros do cinema, diretores, trilhas sonoras. O cinema de arte me pegou no colegial. E fui desenvolvendo a cinefilia, lendo as críticas, com muitos"papos-cabeça" na pizza com chope, depois da sessão.
Ontem à noite, foi transmitida pela televisão, "para bilhões de espectadores", a premiação do Oscar, que coincidiu com o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Uma passarela de celebridades, a red carpet, e a outra onde que elas desfilavam com o povão, o sambódromo.
Numa parte da cerimônia do Oscar são homenageados aqueles que faleceram desde a premiação anterior, que aparecem na telinha alguns poucos segundos que nos permitem relembrar dos encontros que mantivemos na sala escura. Neste ano, foi mencionado o Eduardo Coutinho, grande documentarista, cujo filme "Edificio Master" usei em aula de graduação na FAU-USP, para exemplificar a diversidade na demanda habitacional, que renda e ciclo de vida só não conseguem explicar.
No vídeo anexo, uma cena do filme Carmen, no qual aparece outro que acaba de se tornar mais uma estrela no andar de cima (uso a expressão da amiga Rosa Maria Panicali). Paco de Lucia faleceu aos 66 anos, minha idade.
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