
O registro de mudanças e permanências num dado ambiente é um elemento recorrente nas artes. Em especial no cinema, nos filmes que contam histórias.
Na minha infância, eu semi-gostava de acompanhar meu pai no barbeiro, nos sábados à tarde. O salão era uma salinha no porão de uma casa que tinha uma porta abrindo para a calçada em frente. Frequentado pelo pessoal da vizinhança, Tinha alguns atrativos para meu olhar e curiosidade de menino: uma delas era um senhor de cor negra que ia raspar os cabelos com navalha. A outra era ficar atento quando o barbeiro abria a cortina que fechava as prateleiras para perscrutar o que ficava escondido ali atrás. Me lembro ter conseguido ver uma caixa de dinheiro, um monte de loções e um afinador de navalhas.
Ouvia a conversa "de gente grande". Um dia se comentou o suicídio do Getúlio Vargas. Um fundo sonoro vinha, em tom alto e oscilante, de um rádio destes "de válvula", que transmitia um programa de calouros conduzido pelo Ary Barroso. cujo gongo foi precursor da buzina do Chacrinha.
Muitos anos passados, já casado, ia passar feriados e fins de semana na cidade de Cerqueira César, visitando a família da Ângela e nos mesmos sábados à tarde aproveitava para ir cortar o cabelo no salão do Zé Dias, que muito lembrava aquele de minha infância. Sinal dos tempos atuais, em lugar do rádio, uma televisão colorida com imagem oscilante, que transmite um programa de calouros, desprovidos da diversão dos gongos, buzinas e outros escrachos.
Zé Dias -- que faleceu no início desta semana -- era uma personalidade em sua cidade. Tinha pendurado na parede um diploma de curso de cabeleireiro e outros com láureas de melhor da cidade -- mostrava de vez em quando um álbum de fotografia da família que guardava numa das gavetas. Muito falador, contava de pescarias e fazia deliciosos comentários politicamente incorretos, monologando com os fregueses sentados. Estabelecia o valor do serviço pelo que considerava justo; Como tenho pouco cabelo, me cobrava quase a metade do valor de um corte regular, porque "não queria explorar". Muito experiente e habilidoso no manuseio do pente e da tesoura.
Na minha infância, eu semi-gostava de acompanhar meu pai no barbeiro, nos sábados à tarde. O salão era uma salinha no porão de uma casa que tinha uma porta abrindo para a calçada em frente. Frequentado pelo pessoal da vizinhança, Tinha alguns atrativos para meu olhar e curiosidade de menino: uma delas era um senhor de cor negra que ia raspar os cabelos com navalha. A outra era ficar atento quando o barbeiro abria a cortina que fechava as prateleiras para perscrutar o que ficava escondido ali atrás. Me lembro ter conseguido ver uma caixa de dinheiro, um monte de loções e um afinador de navalhas.
Ouvia a conversa "de gente grande". Um dia se comentou o suicídio do Getúlio Vargas. Um fundo sonoro vinha, em tom alto e oscilante, de um rádio destes "de válvula", que transmitia um programa de calouros conduzido pelo Ary Barroso. cujo gongo foi precursor da buzina do Chacrinha.
Muitos anos passados, já casado, ia passar feriados e fins de semana na cidade de Cerqueira César, visitando a família da Ângela e nos mesmos sábados à tarde aproveitava para ir cortar o cabelo no salão do Zé Dias, que muito lembrava aquele de minha infância. Sinal dos tempos atuais, em lugar do rádio, uma televisão colorida com imagem oscilante, que transmite um programa de calouros, desprovidos da diversão dos gongos, buzinas e outros escrachos.
Zé Dias -- que faleceu no início desta semana -- era uma personalidade em sua cidade. Tinha pendurado na parede um diploma de curso de cabeleireiro e outros com láureas de melhor da cidade -- mostrava de vez em quando um álbum de fotografia da família que guardava numa das gavetas. Muito falador, contava de pescarias e fazia deliciosos comentários politicamente incorretos, monologando com os fregueses sentados. Estabelecia o valor do serviço pelo que considerava justo; Como tenho pouco cabelo, me cobrava quase a metade do valor de um corte regular, porque "não queria explorar". Muito experiente e habilidoso no manuseio do pente e da tesoura.
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