
Foto da casa (abandonada) de meus avós paternos no vilarejo de Mimes, no sul do Líbano onde meu pai provavelmente nasceu e morou até migrar para o Brasil (foto tirada em abril de 2015)
Aproveitando a aproximação do dia dos pais no ano passado, coloquei uma postagem (Um pouco sobre meu pai) sobre a memória que mantinha do "meu velho". A chegada do dia dos pais neste ano de 2015, dá azo a que retome o assunto, desta vez de modo mais semi-historiográfico. Pois neste meio-tempo, em abril passado, realizei uma viagem para o Líbano (que foi também sujeita a postagens), e estive no palco e cenário de sua infância e adolescência, gravadas em inescrutável memória; a parte dele, carregou e levou consigo.
Tinha uma casa de pedra (a da foto), onde a família morava e produzia azeite com a colheita de um olival próprio. Papai, um irmão e duas irmãs, vieram para o Brasil, onde fincaram novas raízes e constituíram famílias. No Líbano ficou apenas um meu tio Rachid, que se tornou o médico da região, e sua família.
Em Mimes, sobrevivem casas de outras famílias que também migraram para o Brasil. E uma igreja ortodoxa onde estão dependurados na parede que separa o altar dois quadros que meus tios Rachid e Nabiha dedicaram em memória da filha deles, Maha, minha prima, atingida e morta durante a guerra civil libanesa. Muito provavelmente o único registro nominal dos Haddads que lá permaneceram.
Anexo à igreja, há uma casa cuja construção foi financiada por outro que migrou de lá, Fuad Kairalla, que prosperou no ramo de tecelagem, em São Paulo. É destinada para abrigar os brasileiros quando forem visitar os parentes. Tem um livro de registro de visitantes, entre eles uns Haddads, como agora o meu.
Uma curiosidade -- na minha carteira de identidade, consta como local de nascimento: Mimes, Líbano, embora minha mãe, que testemunhou o fato, garanta que eu nasci em Beirute, na maternidade francesa. No Lìbano, os nascimentos são registrados no local de moradia da família.
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