
Quando fazia meu pós-doutorado em Berkeley, certo dia o telefone de casa tocou; atendi e ouvi uma voz que deveria ser de uma "old lady". Perguntava se eu não queria fazer uma assinatura do Oakland Tribune. Simpatizei com a ideia, por se tratar de um jornal que representava alternativa local um pouco menos conservadora ao Chronicle, pertencente ao magnata Hearst. Perguntei a ela o que é que o jornal tinha a oferecer. "Muitos cupons na edição de domingo", frustrando minha expectativa de ouvir algum conteúdo mais progressista.
As edições de domingo dos grandes jornais norteamericanos eram volumosos. Traziam muitos cadernos específicos: um só de anúncios de carros, outro só de imóveis, um só de tiras de história em quadrinhos coloridas, um caderno rosa sobre a programação cultural da semana, os inevitáveis cadernos impressos em colorido brilhante dos cuponzinhos de desconto. (É famoso o caderno de resenha e crítica de lançamentos de livros que acompanha o New York Times)
Cada cupom trazia impresso um código de barras para ser devidamente bipado, por exemplo, nas caixas de supermercado ou das "drugstores", consumando o desconto. Recortar cuponzinhos de desconto e juntar um macinho é uma forma lúdica das velhinhas norte americanas ocuparem seus fins de semana obtendo pequenas economias. E -- por que não? -- de nós bolsistas, que podíamos comer uma coxa do Kentucky fried chicken a mais, ou levar para o consumo da família um litrão de Coca-cola de graça.
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