sexta-feira, 1 de maio de 2015

O fim da picada




Ser reconhecido como um velho (a) resulta de uma construção social que é gradual. Os primeiros indícios surgem quando passam a nos chamar de senhor, em seguida quando no ônibus ou metrô as pessoas se levantam para oferecer o lugar que ocupam. 

Nesse processo de envelhização, há momentos embasbacantes. Fui tomar aquela vacina da gripe, e a enfermeira perguntou se eu estava em dia com minha vacinação, se eu havia tomado a vacina contra o tétano. Respondi que sim, até numa circunstância interessante: eu ocupava então o cargo de diretor técnico da Prefeitura do campus da Cidade Universitária, e tinha sob minha direção 1500 funcionários operacionais, do tipo jardineiros, motoristas, seguranças, pedreiros, etc. e foi programada uma vacinação antitetânica. Como superior hierárquico fui o primeiro da fila para dar exemplo e desdesconfiar o povo mais simples. 

A enfermeira perguntou se havia passado muito tempo, eu disse que estimava nuns 20 anos. Ela disse que eu deveria tomar de novo, me embasbacando com a aplicação do argumento de que velhinhos costumam levar tombos, com risco de fraturas que podem provocar o tétano. Tomei, é claro, a vacina, cuja picada carimbava minha passagem para esta fase da vida.

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