
Fazia meu curso de Master of City Planning em Berkeley, quando aproveitando as pequenas férias escolares de Natal e Ano Novo (que era o de 1974), fiz uma memorável viagem de carro até a cidade do México, indo pela Baixa California, e voltando por Nogales, na fronteira com o estado do Arizona. Fiz a viagem acompanhado de um colega francês, Christian Chemla, estudante de engenharia de transportes.
Recomendaram que, antes da viagem, preparasse meu Mustang para conseguir tragar a gasolina que serviam no interior do México. As velas (eram 8) foram trocadas.
Quando estávamos chegando a Guadalajara, o carro começou a falhar. Levei a uma oficina, dessas grandes, e quando fui retirá-lo soube que o que fizeram no carro foi justamente trocar as velas! Falei que aquilo não precisava ser feito pois as mesmas tinham sido recém trocadas. (Velas em castelhano se diz bujia, que até então era para mim uma macaca).
Destrocaram a vela, e resolveram cobrar a mão de obra!! Seguiu-se um bate-boca, e não me recordo em que termos falei algo a respeito de não levar comigo uma boa imagem do México. Não sei o que um senhor, que por ali estava, entendeu e começou a gritar comigo que se não tivesse satisfeito que voltasse para minha terra. E elevando cada vez mais a voz prosseguiu, dizendo que não admitia que o México fosse insultado. Aquela parte ao lado do globo ocular ficando cada vez mais vermelho, vociferando que deveria mandar me prender.
Achei melhor ficar quieto e pagar a conta, quando o caixa me informou que -- se entendi bem -- o tal senhor era o chefe da polícia de Guadalajara. Fui me explicar com ele, dizendo sermos amigos, até porque foi naquela cidade, no estádio Jalisco, que o Brasil tinha pavimentada a conquista da copa do mundo de futebol em 1970. Acho que funcionou, pois se despediu de mim dizendo: "Que te vaya bien!"
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