domingo, 30 de junho de 2013

Teste

Tive problemas ontem com a publicação deste blogue, provavelmente decorrente de um virus "austríaco", e este é um teste para ver o "sistema" cuidou de resolvê-los. Caso persista, vou ter que suspender as postagens até que os mesmos sejam resolvidos, o que espero fazer contando com ajuda após meu retorno de viagem para o Brasil, previsto para o dia 12 de julho. Abraços prováveis

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Até que enfim chegou na moda uma estética funcional e amiga!





Aqui na Europa, e minha Europa é Viena, o negócio é deixar a barba sem fazer um ou dois dias. Parece que quem notabilizou essa nova atitude foi o ator e diretor George Clooney por ter aparecido mal barbeado num anúncio. Não posso ficar fora dessa, minha cara cara agradece. O afeitar diário enfeita só no curto prazo, mas soe endurecer os pelos; só uma preguicinha -- direito advogado pelo Lafarge, genro e colaborador de Karl Marx -- minimiza a briga com o barbeador produzindo uma tez do tipo bundinha de nenê. Modas tendem a ser transitórias, e hoje aproveitei a onda e dei folga à gilete. Para parecer "in", é claro! A humanidade agradece a economia de água.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Diário da Corte II 27.06.2013

(...) continuação da postagem de ontem. Acordamos e as malas perdidas e achadas haviam sido entregues na recepção do hotel. Saímos por aí com o guia na mão e a primeira parada foi numa drugstore para comprar água e protetor labial. Entre outras, fizemos uma vista guiada à Opera de Viena, "ticamos" uma Sachertarte -- famosa tortinha com damasco e cobertura de chocolate amargo que é muito boa, e compramos dois ingressos para a última ópera da temporada, Tristão e Isolda, no paralelo e espero que o ágio não tenha sido pago a um falsificador; vai ser domingo que vem e a parte final vai coincidir com o jogo Brasil e Espanha. Ontem citei o Arquiduque Reiner. Tirei esta foto aí abaixo de um retrato do gajo que estava pendurada no saguão de nosso hotel, em cima de um aquário com peixes coloridos. Após jantar uma Wiener Schnitzel, com batatas, vimos o jogo da Itália com a Espanha, em alemão. Estou seguro de que foi uma excelente opção àquelas falas do Galvão. Gastei tempo na Internete que os problemas e solicitações não tiram férias. Assim passa-se o dia: na cama depois de tomados os remédios. Amanhã, depois do frühstück continuaremos a vienar, que há muito a ver.




Erzherzog Rainer

Diário da corte

"Diário da corte" era o nome utilizado pelo popular colunista Paulo Francis, já falecido, quando escrevia sobre sua Nova Iorque, cidade para onde se mudara. Capital do capital internacional, onde reina a plutocracia. Aqui em Viena, onde cheguei ontem, se respira o ar da corte monárquica. Por exemplo, o hotel em que me encontro é um prédio do século 18, modernizado, e tem o nome de Erzherzog Rainer, e convido meu eventual leitor a adivinhar que raios significa Erzherzog. Inicialmente pensei que fosse um nome próprio mas, graças a uma pesquisa no Google, descobri que se trata de um título nobiliárquico. Vou guardar a tradução para ser revelada na última linha desta postagem. O verão oficial chegou aqui na semana passada, mas não o avisaram, e fomos recebidos com uma temperatura de 9 graus Celsius; a bagagem perdeu a conexão em Frankfurt, o que nos encorajou a ir do aeroporto ao hotel de transporte público sobre trilhos. O preço do bilhete é 4 euros, e as estações e os trens e bondes não tem catraca. Para ir ao aeroporto em São Paulo, o táxi tinha levado uma hora e meia de engarrafamento e custou mais de 100 reais. Se não tivesse pegado a fila de idoso no controle de passaporte em Guarulhos, talvez não conseguisse embarcar pois a fila dos mais jovens  era imensa. Foi esta mesmo a sina de 3 passageiros que não conseguiram chegar no portão de embarque mesmo tendo a aeronave aguardado meia hora, conforme nos contou um aeromoço. Voltando ao aeroporto de Viena, fomos no balcão de achados e perdidos e eles nos deram uma bolsa com um kit de sobrevivência acompanhado de um bilhete bem impresso com pedido de "sinceras desculpas" nos idiomas: inglês, francês. espanhol,japonês, alemão, chinês, português, árabe, tailandês, e mais dois irreconhecíveis. Há um kit masculino, contendo entre outras bugigangas, uma camiseta XXL e  uma escova de dentes preta, e um feminino com uma camiseta XL e escova de dentes branca. Vão entregara as duas malas perdidas e achadas diretamente no hotel Erzherzog -- é arquiduque.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Contos dos bosques de Viena

Feito o check in e marcados os assentos, tudo pela internete, fomos para a Sala São Paulo assistir a um concerto da Orquestra Real  Concertgebouw, de Amsterdam. Apresentou-se como solista o talentoso pianista siberiano Denis Matsuev, dedilhando Rachmaninov sobre um tema de Paganini. Para bisar, um solo do Figaro, figaro, figaro. Irretocável. Ouvindo aquilo, fiquei pensando se, para um paulistano, ainda é o caso de se colocar entre os principais motivos para se visitar Viena, a oportunidade de ouvir música clássica refinada, ao qual o lugar está associado. Vai me fazer mais gosto, a exemplo do que pude ver Berlim ou Munique, se é um lugar sem congestionamento nem motoqueiros abusados. Nos cantos e bosques de Viena.


domingo, 23 de junho de 2013

"Kein beer"




Depois de amanhã, a estas horas, acompanhado da Ângela, deverei pegar o avião para uma viagem cujo destino final é Viena, na Áustria. O voo transatlântico faz o trajeto São Paulo-Frankfurt, de onde pegaremos outro avião. Me fez lembrar um "causu" -- mais para um semi-"causu" -- que ocorreu quando fiz este mesmo trajeto, em 1978 ou 1979, pela companhia aérea VARIG, que na ocasião era a única empresa brasileira de aviação que operava  linhas internacionais. Na boca da aeromoça sem jeito: "Kein beer". Não havia cerveja a bordo! Justamente na ida para a Alemanha! A reação dos passageiros alemães foi de estupefação, e levaram a coisa com muito sorriso, daqueles que se costuma qualificar de amarelo. Um frisson fez balançar a aeronave desde dentro. Uma  falha desta laia de certa forma prenunciava o destino daquela que até então era uma das maiores e mais conhecidas companhias aéreas privadas do mundo, conhecida pelo seu requintado serviço de bordo. Declínio, fechamento e falência.

Festa junina, dia e noite


(Foto do teto decorado do salão de festa do Clube de Campo de São Paulo)

O palco é o mesmo. De dia, avós levando os netos para as barracas de pescaria na areia, o jogo de argolas, lançamento de bolas de meia na boca do palhaço... O passado encontra o futuro. De noite é o presente. São os jovens, as meninas que passaram a tarde no salão, e ficaram bonitas, e os meninos em turmas. Seja sob o sol, ou sob o luar, as bandeirinhas iluminadas colorem o ambiente festivo. Na banda, o sanfoneiro dá o ritmo e a dança ajuda aproximar a moçada. Viva Santo Antônio! Viva São João!

sábado, 22 de junho de 2013

Solstício




"O dia de hoje (21 de junho) marca o Solstício de Inverno para nós no hemisfério sul. Trata-se de um fenômeno astronômico usado para marcar o inicio do inverno. O Solstício de Inverno ocorre quando o Sol atinge o afastamento máximo do astro em relação a nós. Marca também o dia mais curto do ano no hemisfério sul – isso é, com menos horas de luz natural por aqui. Em São Paulo, o Sol nasceu às 6h47 e se pôs às 17h28". No hemisfério norte ocorre o Solstício de Verão, quando o sol está mais próximo deles. O que sempre achei curioso no solstício -- além do uso não usual em nosso idioma da letra s entre as letras l e t, gerando um som peculiar, é uma certa ambivalência: os dias passam a ficar maiores e as noites menores, o que aponta para uma melhora na temperatura, mas mesmo assim, é o começo do inverno com a aproximação de dias mais frios. As quatro estações -- celebradas pela arte de Vivaldi -- nada são senão consequência da esfericidade do nosso planeta e seu movimento de translação em torno do sol, que dura um ano. Grande noitada, hoje!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Gamão competitivo





Há exatamente duas semanas fiz uma postagem a respeito do meu gosto em jogar gamão. Um leitor, Marcelo Aith, comentou que iria haver um torneio aberto de gamão no Clube Atlético Paulistano ontem. Acabei indo participar. Descobri que há um gamão tipo-competitivo e outro tipo-doméstico, no qual eu tenho militado. O torneio naturalmente se guiava pelo formalismo estabelecido para a competição, que fui então conhecendo. O tabuleiro e as demais peças utilizadas são assemelhadas às da figura. Cada jogador usava um par de dados, que não era compartilhado, ao contrário do que eu estava acostumado, o que me levava a cometer alguns enganos. Some-se a isso a regra de que um par de dados só pode ser lançado depois que o seu oponente retirou os dados dele do tabuleiro. E, também novidade, cada jogador tinha que fazer uso de um copinho de onde lançava os dados, sempre do mesmo lado do tabuleiro. Os dados mais caiam do que eram atirados, perdendo-se aquela gestualidade própria. Em compensação, dava para fazer um barulhinho balançando o copinho com os dados a serem lançados. O ruído dos dados, quando isolado, servia para meu oponente sinalizar -- com um toque de impaciência -- que estava esperando alguma coisa de mim: a maior parte das vezes, tirar meus dados do tabuleiro. Em ato falho, acabei pegado os dados que eram dele e coloquei no meu copinho de dados. Naquela vez descobri meu engano depois de ele ter pedido verificasse meu copinho, e lá estavam quatro dados... Mas a diferença essencial entre o jogo que eu conhecia e o competitivo era a inclusão de um componente de aposta. Através de um dado com a progressão geométrica do número 2 -- na figura o quinto dadinho, "o do valor apostado" indica o número 64, um dos oponentes, quando acha que vai ganhar pode oferecer para dobrar o número de pontos do jogo, o que pode resultar em abandono -- com a perda de um ponto -- ou a sequencia da disputa. E se os ventos mudarem de direção, o jogador que aceitou a aposta, pode por sua vez propor dobrar o dobro do número de pontos num processo exponencial de base dois. Maior risco, maior o ganho esperado. Meu adversário me fez saber, entre outras coisas, que trabalhar com oportunismo o valor da aposta durante a partida é o que vai no fundo definir  um campeão de gamão. À dimensão lúdica, onde os jogadores ficam esperando que a sorte lhe favoreça, se superpõe uma outra de aposta na vitória quando de uma posição mais favorável. Como na bolsa de valores, inclui-se aí um elemento especulativo, que traz aos olhos aquele brilho próprio dos jogadores.




quarta-feira, 19 de junho de 2013

Passe livre

Os protestos em São Paulo usaram como bode expiatório a elevação da tarifa dos transportes públicos na cidade. Na condição de idoso, não pago o ônibus, nem o metrô e tampouco o trem urbano, em São Paulo. Já tenho o passe livre. A variação de tarifa não tem efeito direto no meu bolso. Tem um pouco a ver com a condição econômica geral dos aposentados mas o chamado "bilhete do idoso" é principalmente homenagem que se presta pelo tempo de trabalho dedicado ao desenvolvimento e progresso. Não pago por um serviço que tem valor e é cobrado de outros. Se a tarifa sobe, a gostosa sensação que me dá é a de que estou "recebendo mais". São os dilemas de uma sociedade onde o mecanismo de preços precisa ter um diálogo bem resolvido com o setor de não mercado ("welfare"). Pelo "approach", dá para perceber que fui aluno de pós graduação nos Estados Unidos?




terça-feira, 18 de junho de 2013

Protestos em São Paulo

No dia de hoje, em São Paulo, como resultado de grande mobilização, potencializada pela rapidez de comunicação própria das redes sociais da Internet, muita gente saiu às ruas para protestar. A coisa teve início há uma semana a partir de uma manifestação contra o aumento no valor da tarifa de ônibus de R$ 3,00 para R$ 3,20, e que causou forte repressão policial. O movimento alastrou-se para outras cidades brasileiras. A questão do aumento de tarifas passou a ser contextualizada num quadro político mais amplo e complexo, cuja análise não cabe neste pequeno espaço. A passeata passou aqui na esquina de casa, e fui lá dar uma força. Era mesmo muita gente, na esmagadora maioria estudantes. Com aquele visual de passeatas. Muitos cartazes, escritos à mão. Dois deles eu também carregaria: "Não é preço, é valor", e "Reforma Politica". O primeiro está no cerne de minha especulação científica, e o segundo, de  minha análise política.


domingo, 16 de junho de 2013

Onde está minha devolução?

Este blogue é produção de um semidesocupado que tem gosto em tagarelar, em cima de "causus", sejam eles recuperados da memória, ou crônicas do dia-a-dia. Quando fico semiocupado então apelo para uma rapidinha: revolvo meus arquivos com versos de minha lavra, dou uma editada quando necessário e posto. Evito dar detalhes que julgo serem do foro intimo das pessoas e cenas de sexo explícito. Acho meio fora de propósito usar este espaço para queixas ou reclamações embora a falta de vergonha dos "macro e micro poderes" me tenha trazido motivos para isso. Não quero, nem de longe, correr o risco de apresentar rancor, palavra que não faz parte do meu dicionário. Entretanto, há momentos em que cabe uma chorada. Estou escrevendo isso depois de ter perdido duas horas diante deste mesmo monitor para saber o que ocorreu com a devolução do meu imposto de renda que deveria ter sido creditada hoje. Pelo Estatuto do Idoso, nós deveríamos receber a devolução junto com o primeiro lote, e contava com este dinheiro que simplesmente não veio. Para ter notícias, entrei na página de Internete da Receita Federal. A notícia preliminar é a de que a minha declaração se encontra na sua base de dados, o que não refresca. Se quisermos detalhes do andamento é necessário se obter um extrato que requer a geração de um código de acesso e de uma senha, o que se faz on line dando uma série de informações entre as quais o número do recibo das duas últimas declarações. O número de acesso é válido por dois anos. Com a senha e o número de acesso, pude entrar no Centro Virtual de Atendimento, onde se obtém a informação procurada sobre a devolução de Imposto de Renda 2013 e obtive como resposta que minha devolução encontra-se em processamento (sic!).

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Meu primeiro heavy metal

Em julho de 2001, fiz uma gostosa viagem de carro com o Francisco, então com 15 anos, partindo de Denver até o Parque de Yellowstone, atravessando Wyoming, e retornando via Salt Lake City, desta forma cruzando as Rochosas. Compromissos de trabalho impediram a Angela de estar conosco. Deu para conhecer muita coisa curiosa. Vou selecionar dez delas: 1. Museu de Ciência de Denver, com sua ampla coleção de pedras; 2. A fábrica da Budwiser, ao norte de Denver, que dizem ser a maior de todas; 3. O enorme templo mórmon em Salt Lake City; 4. As formações, flora e fauna de Yellowstone: uma das chaminés do planeta; 5. Centro Nacional de pesquisas atmosféricas em Boulder, cidade da conferência; 6. Aspen com as Rocky Mountains, fora da estação de esqui; 7. A formação de lava em Idaho; 8. O buffalo burger; 9. As mulheres obesas de Wyoming; e 10. O extreme heavy metal. Cada uma destas atrações vale uma postagem própria. Vou aqui me concentrar na última: o show de heavy metal. Não preciso dizer que até então muito pouco conhecia daquilo, mas a mera menção de que a banda Pantera iria encerrar o show (show???) deixou o Francisco endoidecido, e -- usando um dito de meu colega  Edgar Radesca,  pai tem que sustentar sua imagem de herói -- resolvi levá-lo. Além do Pantera, se apresentaram outra bandas que respondiam pelos nada-romântico nomes de Slayer, Morbid Angel e Static-X. Tínhamos visto um cartaz do show antes de partir para o passeio até Yellowstone, e programamos estar de volta a Denver em tempo de assisti-lo. A entrada requeria que se assinasse um termo des-responsabilizando a organização do espetáculo (espetáculo???) por qualquer dano pessoal. Pouca melodia, muito som distorcido, cantores que de voz rouca que grunhiam, numa barulheira ensurdecedora. (Vejam o vídeo abaixo). Os vocalistas gostavam muito de usar palavrões. Aquela coisa era complementada por enormes tochas ardentes e bombas ruidosas de efeito moral. Acabei semi-aficcionado do gênero, tendo em outras oportunidades assistido a apresentações de bandas heavy metal, em geral acompanhando o Francisco e amigos. Taí um tipo de coisa que a gente acaba aprendendo com filho.




quinta-feira, 13 de junho de 2013

Bob Dylan as a Rolling Stone




O Blogger oferece vários recursos, que vou conhecendo aos poucos. Um deles é mostrar estatísticas sobre o número de visualizações de cada postagem feita. A gente fica sempre curiosa para saber porque algumas postagens recebem mais visualizações do que outras. Como não se sabe muito bem de antemão o que vai encontrar, mesmo sendo visitante frequente, o título da postagem passa a cumprir um papel importante na atração dos leitores. A mensagem mais visualizada neste blogue tem como título: se meu Mustangue falasse... Trabalhando na hipótese de que o uso de grandes nomes no título devem atrair mais visualizadores,    comecei a buscar palavras-chaves de peso e acabei puxando da memória um encontro que conseguiu suspender o fluir tempo por instantes. Bob Dylan, que fizera a abertura acompanhado de uma excelente banda, foi convidado para dar uma canja no show dos Rolling Stones que assistimos na pista de atletismo ao lado do ginásio do Ibirapuera, em 2007. Numa noite estrelada no céu e na terra, um momento histórico, que acabou propiciando um título para esta postagem capaz talvez de desbancar o do Mustangue.





http://www.youtube.com/watch?v=X-uDpi0MYR8


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Jornal da Manhã

Hospedado em hotéis em outros países, ao acordar ligo a televisão do quarto para ouvir o noticiário. Verifico uma tendência -- que ainda não vingou no Brasil -- dos telejornais de tentar proporcionar um pouco de animação para um público telespectador brigando consigo mesmo para vencer a inércia do acordar. Numa das BBCs há um grupo de apresentadores que se comporta como se tivesse vindo direto da balada para o estúdio. Na TV espanhola, onde as apresentadoras são sempre lindas, o pessoal bota uma dança ao som de ritmo latino. No México, tem um "noticero" que é feito por quatro apresentadores, divertidos e alto astral, todos falando ao mesmo tempo -- tipo o nosso Pânico na TV. Para ilustrar o tipo de comédia, uma vez acordei morrendo... de rir. Discutiam um assunto momentoso levado com aquele apimentado sabor local :: o da prisão de um canibal. Deram a noticia de que o tal canibal já saíra da internação e estava se alimentando normalmente. Foi quando um dos apresentadores levantou a questão: o que é que estão servindo para ele?

terça-feira, 11 de junho de 2013

Aconteceu no Ceilão

Em 1990, estive em Colombo, selecionado pela Social and Housing Foundation, para participar de um encontro sobre o Million Housing Program do Sri Lanka. Este programa habitacional - baseado em empréstimos de pequeno valor -- tinha recebido o World Habitat Award que a referida Foundation outorga anualmente. (Duas décadas depois, o Programa Minha Casa Minha Vida viria a redescobrir, no Brasil, o feitiço da palavra milhão). A data do evento manteve-se incerta devido à violência política que dilacerava aquele simpático país. Foi marcado, finalmente, quando deu um momento de calmaria, em maio de 1990. Coincidiu com o Vesak, celebração do nascimento e da iluminação de Buda, e aquele momento especial de concórdia propiciava às famílias motivos para sair às ruas, para comer e beber e acender velas pela cidade, já bastante decorada, em particular na praia. No encontro, encontrei um costarricense, o outro participante da América Latina, com quem acabei "fazendo dupla". Ele pesquisava o bambu e sua aplicação na construção civil. Um dia ele veio com um recado que o cônsul honorário da Costa Rica nos havia convidado para jantar. Fomos na sala vip de um hotel, de propriedade do cônsul, onde naquela noite se realizava a cerimônia de um casamento na tradição muçulmana. Tinha muita gente, mulheres e homens em ambientes separados, as mulheres numa balaustrada, e os homens no salão de baixo. Jantamos da comida preparada para o casamento. Durante o jantar o cônsul honorário da Costa Rica falou comigo de seu interesse em assumir papel semelhante para o Brasil; argumentava que a embaixada da Índia, que acumulava tais funções não dava a atenção devida às relações entre nossos países. Na ocasião eu estava distante de Brasilia, fazendo um pós-doutorado nos Estados Unidos, o que não me impediu de passar o recado para um conhecido no Itamarati.


O Sri Lanka é um pais budista (low-level), onde as pessoas se vestem e se comportam como indianos, muitas com sobrenome português. Em Kandy, cruzei com um nativo que me repetiu a frase em português que havia aprendido de seus avós: "Bom cristão, mau ladrão".

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Muito cuidado com o garçom georgiano

Na madrugada em nossa ampla suíte no Bellagio em Las Vegas, acordo e encontro a luz acesa e a Ângela insone, andando como um monge na clausura. Na véspera, havíamos jantado num restaurante italiano, e fomos servidos por um garçom com sotaque estranho. Comecei a falar italiano com ele que mantinha um sorriso de indonésio. Viemos depois a descobrir que tinha recém vindo da Geórgia. Deveria ser um daqueles  muitos cientistas da ex-União Soviética que na época atravessaram as ilhas Aleutas em busca de melhores salários-- como os que ali se pagavam aos serviçais. Após o jantar a Ângela pediu um café descafeinado. Ele manteve o sorriso misterioso. Pela jeito, acabou trazendo um com cafeína mesmo, que lhe tirou o sono. Pensei em precaver algum possível leitor para que, se quiser dormir direito em Las Vegas, quando for jantar num italiano, confira os pedidos feitos a garçons recém emigrados da ex-União Soviética que tenham limitado conhecimento de inglês. É um serviço de utilidade pública.

domingo, 9 de junho de 2013

Touradas



Estive uma vez assistindo a uma tourada, que era ali conhecida por "corrida". Foi numa arena em Barcelona, onde ela é hoje proibida. Não era coisa mesmo dos catalães, apesar de que a tourada mais famosa no Brasil -- a marchinha carnavalesca -- não tenha noção do regionalismo catalão e mistura as coisas:  "uma espanhola natural da Catalunha, que queria que eu tocasse castanhola e pegasse um touro a unha". No dia seguinte ao espetáculo, um colorido ritual, fui ler os comentários no jornal. O interessante, para um leigo: abordavam  tanto a bravura do toureiro quanto a do touro. Me dei conta então de que aquilo era uma prova de valor para ambos, não apenas dos toureiros -- que haviam arrancado os olés da plateia, e pelo desempenho ficar com uma ou duas orelhas, mas também dos touros. Porque estava ali em julgamento também a ganaderia, a que criava os animais para a corrida. Dependendo da performance dos touros fornecidos, variava a cotação do seu plantel para corridas subsequentes. Dava para se imaginar se naquela arena não poderia haver mumunha como campo do futebol profissional.

sábado, 8 de junho de 2013

Cromo


mata virgem filme
cromo fotográfico
    belos gramados
           canforados
repelentes
voam besouros,
          beetles,
          bees
   zumbem
          bem eletromúsica
com-portaria cavernas clubes

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Improv

San Francisco nos anos 60 (the sixties) foi a Meca alternativa. Cheguei lá para fazer pós, em 1972, bem no fim da festa, mas deu ainda para pegar os últimos convivas. Psicodelismo, hippies, harekrishnas, lutas marciais, Hell's Angels, Allan Watts, Doobies, Black Panthers, rock and roll, Civil Rights, pornografia, paz e amor. Uma mistureba que produzia um cheiro próprio da liberdade voltada à desproibição. Nada não podia. Logo que cheguei, fiz um curso de Inglês, na Universidade de Stanford, e fiquei amigo de uma das professoras, de nome Elizabeth, com quem até hoje me correspondo. Ela fazia parte de  um grupo de amigos que íamos juntos nos fins de semana para San Francisco, a uma hora de distância. Ela, naturalmente, sendo nortemericana e professora, nos ajudava a não nos perdermos muito nas trilhas urbanas daquele lugar meio amalucado. Do roteiro, nos domingos, fazia parte uma ida à Glide Memorial Church, para o culto mais roqueiro que já vi -- a igreja, metodista, tinha um rabino em residência, que brandia uma bengala que o Ho Chi Min havia lhe dado, bradando contra a política de cortes de programas sociais do Presidente Nixon, -- e o Golden Gate Park, ponto de convergência de todas as tribos -- para um dogão.  Retornei a San Francisco algumas vezes para testemunhar o processo de caretização. Nos anos 2000 -- parafraseando o John Lennon -- o sonho havia definitivamente terminado. A cidade retomou sua direitice, virou um importante centro de design, e de turismo comportado. Yuppified. Che Guevara já era só um poster. Mas Elizabeth conseguiu manter-se fiel ao velho San Francisco. Ensinava inglês para imigrantes, dava aulas de ioga, e se dedicava ao Improv, prática da improvisação. Numa das viagens, ela levou a mim e ao Francisco que me acompanhava então, para assistir um show de improvisação. Era uma competição entre duas equipes, e cada uma delas tinha que cumprir tarefas e que recebiam notas de um juri, como nestes programas de calouros. As tarefas eram dadas na hora, e era tudo muito divertido. No início da sessão, o apresentador pediu que todos levantássemos porque era a hora do hino. Levamos a mão ao peito e tocou uma música dos Monkees, e todo o mundo cantou junto. Naquele teatrinho -- local adaptado do que foi o Presídio de San Francisco -- senti um restinho resistente do cheiro perfumado de liberdade que 30 anos antes pervadia toda a cidade.




Gamão






Dos jogos de mesa, nunca progredi no xadrez, que é pura estratégia, requer uma concentração que eu nunca tive, e sem um elemento de aleatoriedade que possa provocar uma mudança de rotas meio bruscas. Ouvi dizer que existe um supercomputador que é imbatível no xadrez. Imagino como deve ser o cérebro dos grandes enxadristas: um arranjo de neurônios e sinapses que possam rivalizar um supercomputador. Embora contenha elementos de sorte, o baralho é um jogo que não faz ruído. Meu predileto é o gamão, que aprendi vendo meu pai jogar, numa linda mesa trabalhada que trouxeram do Líbano, junto comigo bebê. O gamão combina estratégia e sorte, num meio a meio. Tem algo de especial na forma de lançar os dados no tabuleiro-caixa, com força. E ouvir sons, nesta ordem: dos dados pululando, da leitura dos valores em turco, e do xingamento em árabe da boca de quem saiu perdendo naquele lance. O jogo é muito disseminado no Oriente Médio e é uma ocasião de compartilhar o narguile, um arak com"bizer" (sementinha de abóbora seca e salgada). Já joguei pela Internete  com um adversários de diferentes partes do mundo; mas comecei a sentir falta do tête-a-tête. Me contou um egípcio que em Alexandria há um calçadão onde aos domingos se reúnem os gamãozeiros, e que na segunda de manhã os varredores de rua recolhem as casquinhas de bizer jogados no chão, parecendo confetis após bailes de carnaval. A conferir.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Desconcertado

Peço ao eventual leitor a gentileza de inicialmente ler minha postagem de anteontem "Não arquive jogue fora", que pode ser facilmente acessada clicando no link ao lado.

Pronto?

Gosto de enviar um cópia da postagem às pessoas que de alguma forma são citadas. Falo ali de um certo Bill, um cara com quem nunca mais eu tive contacto desde aquele episódio, que ocorreu 38 anos atrás. O nome dele é William Aalbersberg. Googlei e pelas fotos vi se tratar daquele velho companheiro de ideais primitivistas. Como a esmagadora maioria dos egressos de Berkeley, pela biografia, fez uma importante carreira de pesquisador e está de novo nas Ilhas Fiji, onde ocupa o cargo de Director of the Institute of Applied Science da USP de lá -- University of the South Pacific. Mandei uma cópia da postagem para ver no que dava, e não é que ele me respondeu? Com uma desconcertante pergunta, para a qual não consigo achar resposta: ele afinal fez o good ou fez o bad?

De: William Aalbersberg (william.aalbersberg@usp.ac.fj)
Enviada: terça-feira, 4 de junho de 2013 00:00:02
Para: Emilio Haddad (emhaddad1@hotmail.com)
Hi,
Couldn't tell if I did something good or bad; I do have a Portugese friend so maybe they can do a better
translation

Minha irmã está no Líbano -- II



Beitedinne


Uma semana atrás postei neste blogue sobre a viagem de minha irmã para o Líbano, de onde emigraram nossos pais e avós maternos. Estava agora sentado diante do meu notebook para escrever um texto memorizando os "fireworks de quatro de julho" que passei nos Estados Unidos, quando chegou outro e-mail dela. Pelo jeito, a expedição tem lhe permitido cumprir a expectativa de desacobertar raízes de uma árvore familiar, cujos ramos atravessaram continentes. Achei melhor copiar abaixo a mensagem dela -- com pequenos cortes. Quanto ao "quatro de julho", fica prometido para o dia 4 do mês que vem, se não chegar naquele dia outra mensagem que valha a pena compartilhar.

Oi maninho
O 'seu' zatar ja esta em Sampa com o Pedro. 
Tenho falado com a mamãe pelo skype.
Já disse prá todo mundo que vc vem no ano que vem com o Francisco.
Ontem conheci o Elie. Ele esta morando aqui agora.
Tia Nabiha tem sido super atenciosa comigo. Liga todo dia, não foi prá Hasbaiya pra ficar comigo. Ontem fui jantar com ela. Aliás todos ficam cuidando de mim.
Hoje vou fazer uma excursão a Beitedin e Deir el Kamal.
De vez em quando os Sirios jogam uns foguetes aqui. Não é pra matar ninguém, só pra dar o ar da graça. Mas eles parece que estão acostumados não dão a menor bola
Estao todos bem por aí? 
Bjs a todos
Cris

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Não arquive jogue fora

Era madrugada. No meu quarto da International House, em Berkeley, eu estava fazendo os pacotes para voltar para o Brasil, após 3 anos de pós-graduação. Estava muito atrapalhado com o que deveria trazer e o que deveria deixar. Em 1975, não havia e-books. Passou pelo corredor um outro morador, de nome Bill, que era o que havia de despojado. Fazia doutorado em química e preferia trabalhar nas madrugadas. Tinha servido no Peace Corps numa das ilhas Fiji, sem eletricidade, mas com ciclones. Amava a simplicidade, e nunca voltou a se dar bem na chamada civilização. Não raramente andava enrolado num saiote. Pressentiu minha dificuldade, e como um anjo resolveu me ajudar. Eu tinha que decidir no ato: vai pro lixo ou pro Brasil. Na sucessão de documentos e objetos chegou o catálogo de cursos da Universidade. Vacilei. Ele tomou de minha mão e atirou pela janela. Ouvi o farfalhar das folhas de uma árvore. O curioso no caso é que quase tudo que eu acabei trazendo para o Brasil ficou anos encaixotado. Uma das únicas coisas que precisei foi justamente daquele catálogo pois continha informações necessária para pedir a equivalência do meu diploma.

domingo, 2 de junho de 2013

Banheiro em Bayreuth


Ontem à noite, o Gogô reuniu um grupo de colegas da Poli em sua casa no bairro de Alphaville para uma "pizza na pedra". Cada um fazia a sua que era assada na lareira, e levava para a mesa da jantar onde os "causus" se sucediam... Estava presente o Nelson Daher, grande amante da música erudita -- foi a seu convite que fui pela primeira vez à uma ópera, "Otello" no Theatro Municipal de São Paulo, para aproveitar uma entrada que tinha comprado para sua namorada, que no meio tempo havia se tornado ex. Ele contou para a roda que, depois de 17 anos na fila pagando a anualidade do Wagner Society of New York, foi sorteado para a compra de tíquetes para assistir ao Festival de Wagner. O "Festspiele" se realiza na cidadezinha alemã de Bayreuth, num teatro especialmente desenhado pelo próprio compositor. É um evento anual muito elegante, que reúne durante uma semana os Wagner-maníacos do mundo todo, para curtir a apresentação suas óperas. Contou que lhe coube sentar na cadeira ao lado do ocupado pela chanceler alemã, Angela Merkel. No verão de 2007, após ter participado de uma conferência em Berlim, e na companhia da Angela e do Francisco, que veio se juntar a nós após uma mochilada na Europa, viajamos de Berlim a Frankfurt, num Mercedes alugado. No caminho entramos na cidade de Bayreuth em busca de um banheiro. O banheiro público no centro da cidade houvera fechado alguns minutos antes. Mas num país organizado como é a Alemanha, tinha na porta uma lista de banheiros abertos ao público e seu horário. Peguei o endereço de um deles e com auxílio de um GPS fui até lá. Após ter estacionado, suspeito que até irregularmente, na frente de um belíssimo jardim, corri para dentro do banheiro: só tinha usuários vestindo smoking! E eu de tênis e uma bermudinha de viajante! Depois de um tempo intrigado, vim a descobrir que era o intervalo da ópera. Na saída, olhei para o balcão do teatro, do outro lado da rua, onde enfileirado um grupo de trompetistas tocava um tema da ópera para avisar à plateia que retornassem a seus lugares. Aplausos