terça-feira, 11 de junho de 2013

Aconteceu no Ceilão

Em 1990, estive em Colombo, selecionado pela Social and Housing Foundation, para participar de um encontro sobre o Million Housing Program do Sri Lanka. Este programa habitacional - baseado em empréstimos de pequeno valor -- tinha recebido o World Habitat Award que a referida Foundation outorga anualmente. (Duas décadas depois, o Programa Minha Casa Minha Vida viria a redescobrir, no Brasil, o feitiço da palavra milhão). A data do evento manteve-se incerta devido à violência política que dilacerava aquele simpático país. Foi marcado, finalmente, quando deu um momento de calmaria, em maio de 1990. Coincidiu com o Vesak, celebração do nascimento e da iluminação de Buda, e aquele momento especial de concórdia propiciava às famílias motivos para sair às ruas, para comer e beber e acender velas pela cidade, já bastante decorada, em particular na praia. No encontro, encontrei um costarricense, o outro participante da América Latina, com quem acabei "fazendo dupla". Ele pesquisava o bambu e sua aplicação na construção civil. Um dia ele veio com um recado que o cônsul honorário da Costa Rica nos havia convidado para jantar. Fomos na sala vip de um hotel, de propriedade do cônsul, onde naquela noite se realizava a cerimônia de um casamento na tradição muçulmana. Tinha muita gente, mulheres e homens em ambientes separados, as mulheres numa balaustrada, e os homens no salão de baixo. Jantamos da comida preparada para o casamento. Durante o jantar o cônsul honorário da Costa Rica falou comigo de seu interesse em assumir papel semelhante para o Brasil; argumentava que a embaixada da Índia, que acumulava tais funções não dava a atenção devida às relações entre nossos países. Na ocasião eu estava distante de Brasilia, fazendo um pós-doutorado nos Estados Unidos, o que não me impediu de passar o recado para um conhecido no Itamarati.


O Sri Lanka é um pais budista (low-level), onde as pessoas se vestem e se comportam como indianos, muitas com sobrenome português. Em Kandy, cruzei com um nativo que me repetiu a frase em português que havia aprendido de seus avós: "Bom cristão, mau ladrão".

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