segunda-feira, 3 de junho de 2013
Não arquive jogue fora
Era madrugada. No meu quarto da International House, em Berkeley, eu estava fazendo os pacotes para voltar para o Brasil, após 3 anos de pós-graduação. Estava muito atrapalhado com o que deveria trazer e o que deveria deixar. Em 1975, não havia e-books. Passou pelo corredor um outro morador, de nome Bill, que era o que havia de despojado. Fazia doutorado em química e preferia trabalhar nas madrugadas. Tinha servido no Peace Corps numa das ilhas Fiji, sem eletricidade, mas com ciclones. Amava a simplicidade, e nunca voltou a se dar bem na chamada civilização. Não raramente andava enrolado num saiote. Pressentiu minha dificuldade, e como um anjo resolveu me ajudar. Eu tinha que decidir no ato: vai pro lixo ou pro Brasil. Na sucessão de documentos e objetos chegou o catálogo de cursos da Universidade. Vacilei. Ele tomou de minha mão e atirou pela janela. Ouvi o farfalhar das folhas de uma árvore. O curioso no caso é que quase tudo que eu acabei trazendo para o Brasil ficou anos encaixotado. Uma das únicas coisas que precisei foi justamente daquele catálogo pois continha informações necessária para pedir a equivalência do meu diploma.
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