
Quando chegavam as férias escolares, me mandavam passar uns dias na casa de vovó em Jundiaí. Ela morava num sobrado, compartilhado com a família de um dos meus tios, de nome Salim. Era casado com minha tia Ivete, de origem alemã. A administração de um menino em férias ficava por conta delas. Que eram formidáveis na arte. Vovó, por exemplo, enquanto fazia doces de massa folhada, ocupava me fazendo pincelar manteiga cada vez que esticava a massa com o pau de macarrão. Minha tia alemã, loira, de nome Ivete, me ensinava as letras do alfabeto. Me dava uma tesoura e me fazia recortar letras de um monte de revistas e jornais velhos. As duas primeiras letras que tive que aprender foram respectivamente o "O" e o "I", que tinham as formas geométricas mais fáceis. O "o" Gordinho e o "i" magrinho passaram a ser universalizados como ligado e desligado. E destas para o resto do abecedário, e daí para as sílabas e as palavras. No final das férias, com três anos de idade, minha tia Ivete tinha me alfabetizado.
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