quarta-feira, 1 de abril de 2015

Beijing em 1996





Em 1996, a economia de mercado na China atingia a adolescência, esta fase de transição da infância para adulto. Com direito à semi-insegurança que dá a descoberta da individualidade e das espinhas no rosto. 

Fomos participar de uma conferência patrocinada pelo Research Committee on Housing and Built Environment RC43, da International Sociological Association, em Beijing. Na verdade, o Convention Bureau de Pequim, tinha preparado um "kit conferência" que servia de plataforma para captar reuniões internacionais, o que se tornara possível com o descerrar da cortina de bambu. O lauto jantar de abertura e de encerramento foi feito num salão preparado para estes eventos, que tinha aqueles chafarizes iluminados dançantes ao som de uma música de cada país. Ouvimos a mesma fita nas duas noites. Gostei muito da comida. 

Ficamos hospedados numa parte da cidade construída para a realização dos Jogos Pan Asiáticos, e a paisagem vista da janela de nosso quarto dava a impressão que estávamos em Orlando. Com a diferença de fuso horário e duas noites passadas em avião, acabava acordando muito cedo e ia andar num parque em frente ao hotel e cruzava com velhinhos vestidos com aquele uniforme da era Mao, praticando tai chi chuan para acolher o amanhecer, Com uma impressionante elasticidade e equilíbrio.

O que estava por trás da realização daquele encontro era a nova motivação que embriagava os chineses libertos das amarras da vida em comunas:ganhar dinheiro. O encontro era trilingue (inglês, francês e chinês). Na apresentação de meu trabalho, eu falava em inglês, um chinezão repetia em chinês, que servia de base para uma chinezinha dizer em francês. Intercalavam um idioma que não era indoeuropeu, e a coisa parecia quela brincadeira de telefone sem fio. a primeira vez que ouvi o que chegou em francês de minha fala, procurei corrigir. Depois tive que mandar às favas a preocupação com a pureza do idioma e apelar para que algum espírito iluminasse a platéia, que como soe ser na China, era bem grande. 

A conferência foi repleta de causus interessantes. Por exemplo, engasguei com os pedacinhos que ficavam na latinha de um refresco de ninho de andorinha, e tive que cuspir no chão. Levei uma incrível carraspana de um chinês que me fez enterrar aquilo. 

Foi tudo muito bagunçado. Porém, na sessão de encerramento, que incluiu a apresentação de ópera de Pequim (uma delas, para turistas), o presidente da Academia Chinesa de Planejamento Urbano, (que editava uma excelente revista em inglês sobre planejamento urbano, que nunca produzimos igual no Brasil) encerrou os trabalhos declarando que o encontro tinha sido "vitolious", o que me deixou muito feliz. No final, Ganhamos!!!!

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