terça-feira, 29 de julho de 2014

Palavrão



No ambiente no qual fui crescido, palavrão era coisa muito feia. Se aceitava apenas em alguns lugares em circunstâncias especiais: estádios de futebol, peças de teatro para maiores, literatura do tipo realista. Utilizado como forma extrema de xingamento uma pessoa, atribuindo-lhe e à sua mãe desvios sexuais. Falar palavrão era falta de educação, uma transgressão social.

No curso ginasial, tínhamos aulas de inglês com o Padre Geraldo, um canadense. Ele adotava um livro didático que ao lado da gramática continha trechos de obras de autores importantes. Numa certa aula, iríamos ler um trecho das "Vinhas da Ira", do Steinbeck. Padre Geraldo, no seu exórdio, nos preveniu de que o autor descrevia cenas de gente rude, e que muitas vezes, falavam palavrões, e é claro a classe ficou mais esperta.

A cada aluno cumpria ler um trecho, que era então traduzido. Num dado trecho, Padre Geraldo disse: Essa expressão é o pior palavrão do idioma em inglês.Toda a classe ficou silente, fazendo sua aposta mental, puxando da memória sua lista particular de obscenidades. O recatado Padre Geraldo teria coragem de traduzir aquilo em bom português?

"Goddamn", ele nos ensinou, quer dizer "que Deus seja maldito"



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