Me lembro quando a Coca Cola aportou no Brasil. Foi nos anos 50, e eu fazia o curso primário no Colégio Dante Alighieri e durante uns dias um caminhão parava na saída para distribuir garrafinhas com aquela novidade, De graça. Me lembro de ter gostado daquele sabor diferente.
E desde então nosso país foi se cocacolizando. Um marco deste processo, a vaca preta, mistura de Coca-cola com sorvete de creme, popular entre os jovens nas décadas de 50 e de 60, mas hoje completamente "demodée".
A ocasião, "a que faz o ladrão", surge em festas ou jantares em que se serve sorvete de creme -- ou assemelhados, como o sorvete de flocos -- quando faço minha vaca preta, cujo sabor é identificado com uma gostosa, no seu "stricto sensu", recordação daqueles anos dourados, que ficaram eternizados na canção de Tom e Chico Buarque. Em geral, é para matar de vez todo escrúpulo por ter transgredido aqui e ali a dieta, que cometemos durante a refeição.
Às vezes ocorre ter que misturar aquela coisa superindustrializada, com sorvete caseiro. Mesmo no sistema capitalista, algumas convivências são possíveis.









