quinta-feira, 5 de março de 2015

Achados e perdidos



Como todo ser semidesorganizado vivo perdendo coisas, grande parte das quais aparecem quando a gente não precisa mais delas. Me impressiona muito o quanto "elas estavam aqui agora mesmo"... Coleciono muitos, muitíssimos causus, de coisas perdidas e achadas. Vou ilustrar com um destes, e na falta de assunto conto outros em postagens futuras. 

Esqueci meu caderninho com endereços e telefones numa cabine telefônica na estação de trem de Dublin, e quando me dei conta já estava em Cork. Eu tinha encontrado um americano como colega num curso de verão sobre "Environmental and Social Planning in Britain",que fizemos na Universidade de Manchester, em 1973,  após o qual ambos em férias e com pouco dinheiro -- resolvemos mochilar juntos. Adquirimos um destes bilhetes que permitiam viagens ilimitadas de trem e e ônibus pela república da Irlanda durante 14 dias, Dormíamos em "bed and brekfast" a um libra e meia o pernoite com café da manhã, gordurosos egg and bacon, com café, O resto do dia nos alimentavam a cerveja Guiness e "oxtail soup", Com isso, fomos à costa oeste do pais até Galway,

Meu eventual leitor de hoje em dia tem tudo que precisa guardado na nuvem, pode imaginar a falta que fazia esta cadernetinha. Era o registro de toda minha comunicação com o mundo, eu que estava há um ano fora de casa, 

Quando retornamos a Dublin, pensei em ir no achados e perdidos da cidade, que ficava numa delegacia muito parecida com uma que serve de cenário ao filme "A Hard Day´s Night". Não estava lá, até que veio a ideia de procurá-la no "achados e perdidos" da estação de trem, A esperança, última que morre, definhando. A cadernetinha lá estava guardada, havia três semanas! Normal...

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