
Siri
Na década de 50, costumávamos ir e voltar das férias em Santos, onde nos hospedávamos na "Pensão Beira Mar -- familiar", usando um serviço de transporte por peruas que foi a precursora do que é conhecido hoje por vans. O que caracterizava a perua do Expresso Luxo era seu espaçoso portamala onde os motoristas após tentarem vários jeitos chegavam a armazenar quase toda nossa bagagem incluindo os apetrechos de praia,
Santos ficava (ainda fica) numa ilha e o canal que a separava do continente era um manguezal onde o pessoal pegava siris para vender na beira da estrada. Eram amarrados e vendido em fiadas. Um detalhe: vivos. E bem sujos de lama cinzenta. Como não tinha outro lugar, em geral eram embrulhados e colocados no piso do banco traseiro onde eu e meus irmãos vinhamos sentados.
Subíamos a serra pela via Anchieta enquanto eu me semidivertia vendo aquilo se mexendo.
Ao chegar em casa, depois de devidamente bem lavados, mamãe colocava o cortejo ainda vivo dentro de uma panela de pressão, para cozinhá-los. Eles que eram arroxeados saiam da panela bem vermelhos. Deveria ser de raiva, pois é a cor dos irados desenhados pelos cartunistas.
Depois comíamos sua carne quebrando o bichinho em partes, o que tinha algo de semilúdico. Mas me incomodava um pouco fazer aquilo com companheiros de viagem
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