segunda-feira, 16 de março de 2015

Prestígio


Fiz meu curso ginasial (hoje 5a. a 8a. séries) num colégio masculino dirigido por padres canadenses. Na sua estruturação, não escaparam de alguns de seus viéses etnocêntricos. O Canadá, país rico, não contava com mão de obra mal remunerada, e muito dos serviços tinham que ser desempenhados pelos alunos mesmo. Um deles era operar o barzinho que abria nos momentos de recreio. Cada semana um grupo de cinco alunos trabalhava no atendimento aos colegas, e no fim do período tinha que fazer um balanço do estoque para novos pedidos.

Quem coordenava esta atividade era o Pe. Cláudio, palmeirense por ter sido vigário em bairro italiano; era encantado pelo Brasil tropical, contraponto aos dias frigidíssimos do Québec onde nasceu, cresceu e se ordenou sacerdote. Era literalmente tarado pelo bombom prestígio, com seu recheio sabor coco. Na semana que me coube compor o grupo que servia na bombonière, pude vê-lo chegar e já ir pegando uns três ou quatro Prestígios, para seu ávido consumo próprio, em geral desfrutando o primeiro deles imediatamente. Pe. Cláudio também nos dava aula das santas matemáticas, enchendo a gente de exercícios. Era muito querido. 

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