https://familysearch.org/search/collection/results?count=20&query=%2Bgivenname%3AEmilio~%20%2Bsurname%3AHaddad~&collection_id=2140223
A FamilySearch.org (ligado à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos últimos dias -- mórmons) promove um trabalho coletivo de genealogia pela rede mundial. O saite disponibilizou, entre outras bases de dados, cópias escaneadas das fichas de registros de estrangeiros com residência no estado de São Paulo, que imigraram entre os anos de 1902 e 1980. Estas fichas foram produzidos pela Secretaria de Segurança Pública e se encontram hoje no Arquivo Público do estado de São Paulo. Pesquisei e encontrei a ficha de meu pai Said Haddad, de minha mãe Maria Abboud Haddad, e a minha própria ficha.
No arquivo -- houve mistura de chegadas e saídas -- e acabei achando também a ficha da figura -- que se refere a um requerimento de visto de saída do país, que submeti há 42 anos atrás. Naquele ano de 1973, eu ainda não houvera obtido minha cidadania brasileira, o que em nada prejudicara minha vida num país acolhedor.
Encontrava-me no Brasil para passar o Natal com a família, que não tinha encontrado por um ano e meio. O pedido de visto de saída do país tinha como objetivo permitir meu regresso à Berkeley para concluir meu mestrado em planejamento urbano e viajar pela Europa nas férias.
Vivíamos sob o regime militar, que restringia certas liberdades, como a de sair do país sem pedir licença. No meu caso, o visto era sempre um pouco demorado para ser concedido em virtude de possuir um homônimo que era lider do partido de oposição em Minas Gerais. Nunca cheguei a conhecer o outro Emílio Haddad, que era uma pessoa muito querida.
Com a redemocratização do país o visto de saída foi abolido; as companhias aéreas fornecem a lista de passageiros às autoridades. Cada vez sobravam mais folhas em branco nos meus passaportes.
Há muitos aspectos interessantes neste documento: o que parece mais chamar a atenção é o meu par de óculos sem aro -- à la Trotski -- que era na época quase um distintivo da esquerda intelectual. E como eu tinha cabelo!







