sexta-feira, 31 de maio de 2013

Teste de pontaria de meus dois indicadores - ajudados por um corretor automático

Estou dedilhando no iPhone da Ângela esta postagem. O motivo é a falta de acesso à internete do meu notebook.   Morro de inveja da moçada que fica polegarzando seus smartfones bem rapidinho.  Grande abraço

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Hamburguer






Na minha infância, comer carne moída era "coisa de pobre". Comida que se preze era aquela feita em casa, uma mais sofisticada comida libanesa, da minha mãe. Meu pai -- com exceção de pizzaria -- tinha uma certa pena de quem tinha que se recorrer a um restaurante para comer. Quando fui estudar em Berkeley, morei num dormitório, a International House, onde fiz amigos norteamericanos e do resto do mundo. Era o sistema room and board, ou seja estavam incluídas as refeições, com exceção do jantar aos domingos. Comíamos num refeitório,do tipo bandeijão, com mesas coletivas, onde alguns alunos ajudavam a servir em troca do alojamento. Os comensais em geral se sentavam com o povo de sua região, e eu naturalmente me enturmava com os latino-americanos. Foi quando então descobri diferenças entre argentinos, chilenos, colombianos. Mas -- muito interessante -- uma coisa nos unia: a tradição ibérica da alimentação com sabor cuidado. Os gringos misturavam gelatina na salada, temperada com um molho rosé, e outra "barbaridades", que uma amiga brasileira curtia como manifestação da liberdade vigente naquela cultura. Conheci uma americana, que talvez por ter feito um intercâmbio em Pádua, tinha uma crítica à comida do refeitório. E uma vez me disse: "Emílio, é uma pena que você coma esta comida, que não é a melhor tradição culinária nossa; gostaria um dia que você fosse em minha casa (em Los Angeles) porque lá poderei lhe servir uma coisa melhor: vou te preparar um hambúrguer feito de 'pure beef'".

Driblado



Deu no jornal que o Neymar, jogador de futebol muito habilidoso, aos 21 anos de idade assinou ontem um contrato com o time de futebol espanhol do Barcelona, para receber um salário anual equivalente a 17 milhões de reais, valor que deve dobrar se forem considerados os contratos de publicidade. Estudei, tive oportunidades, e fiz a vida praticamente como pesquisador e professor. Posso usufruir de uma aposentadoria. Com direito a me dilatar (diletar, como eu imaginava, não consta do dicionário) num blogue pessoal. O que consegui acumular de material foi oriundo basicamente dos 42 anos de trabalho (sem contar o período de estagiário mal remunerado), sempre empregado de um órgão do governo. Uma vida para não chegar a possuir a metade do que o rapaz vai receber em apenas um mês. De minha melhor memória, um caso destes seria inimaginável quando ingressei na força de trabalho. Achei que vale este registro porque exemplifica o quanto a normalidade dos valores mudou em uma geração, em crescente globalização. E a confusão mental que este diacronismo pode estimular?


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Minha irmã está no Líbano



Finalmente chegou a vez de minha irmã Maria Cristina ir conhecer o Líbano. Eu nasci em Beirute; meus dois irmãos, Sérgio e Maria Cristina já nasceram no Brasil, em São Paulo. A viagem de minha irmã para o Líbano é um presente de Pedro, seu filho, quando ela completou 60 anos. A ocasião, o casamento da Zena, filha de nossa prima-irmã Hind. Imagino que minha irmã deva estar fazendo o mesmo redescobrimento do DNA familiar que fiz por ocasião de minha única viagem -- já adulto -- para o Líbano. Era o ano de 1974, e no ar pairavam os primeiros sinais da guerra civil libanesa que estava prestes a eclodir. Passar um tempinho no Líbano, acolhido por parentes do lado de pai e de mãe, auxiliou a identificar minha libanesidade... 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Root beer




O aeroporto Kennedy em Nova Iorque foi o primeiro pedaço de chão que pisei nos Estados Unidos. Fazia lá uma escala, e tudo, mas tudo mesmo, em volta era em inglês. Ficava olhando todas aquelas novidades americanas em meu redor. Uma delas me atraia: aquelas maquininhas de vender latinhas de refrigerante, bem geladinhas, que ainda não existiam no Brasil. No ano de 1972, custavam 5 centavos de dólar. Fui pesquisando os tipos diferentes de bebidas à mostra para escolher uma delas, até que "dei" com uma latinha onde estava escrito Beer. Botei a moedinha, a lata "caiu" e eu abri aquela tampinha e mandei para a goela, esperando aquele primeiro gole de cerveja (eu tinha aprendido no curso de inglês, que essa era a tradução de beer). Quase engasguei com um gosto muito esquisito, que era de Root Beer, uma bebida não alcoólica que tem sabor de dentifrício. Achar que cerveja seria facilmente comprável, como se fosse de um ambulante na porta de estádio de futebol, deve ter sido o primeiro dos desenganos naquelas terras. A ironia é que -- tendo ido morar com uma família de americanos que alugava quartos para estudantes -- acompanhava os meninos em jogos de beisebol -- e no enorme isopor levavam para o estádio hot dogs e um galão de root beer. Passei a entender um pouco mais daquele esporte, onde coisa alguma acontece num belíssimo gramado verde. Cenário incrivelmente perfeito para se beber root beer. 

domingo, 26 de maio de 2013

sábado, 25 de maio de 2013

Me encontro na butique

Uma das coisas mais semidesocupadas que posso imaginar é marido acompanhando mulher em loja de moda. Pois é justamente é este o meu caso, no momento. A dona da loja, Barbara Boutique, em Bauru, especializada em roupas para casamentos, é minha cunhada que me "liberou"o seu desktop com enorme tela plana -- onde desfilam modeletes -- de onde me semidesocupo blogueando... Vou aproveitar para testar a webcam.



Deu semicerto, o suficiente eu acho para captar o ambiente feminino... São mais cuidados, e decorados com mais esmero. Posso dizer que tenho um certo traquejo em ser o único varão do lugar. Um "causu" interessante ocorreu quando fazia aulas de hidroginástica em horário que era possível dentro de minha agenda de professor, e também para senhoras que já não trabalhavam mais. Uma senhora, aluna, veio me contar que antes de mim, havia outro homem na turma, que se dava muito bem com as mulheres da classe: também pudera, ele tinha como profissão ser médico ginecologista.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Salvo em pleno vôo


Estou voando num avião de carreira: um Boeing muito estável, e não menos apertadinho. Ao meu lado um tipo oriental dorme e pela janelinha vejo as nuvens bem brancas que parecem algodão. Vejam que coincidência! Mal escrevo duas sentenças e o tipo oriental abre os olhos, no limite de seu orientalidade, olha para mim e pede licença para passar e ir ao banheiro... Tenho que salvar (anglicismo que tem só um pouco a ver com o "velho" salvamento, uma coisa ligada a incêndios, domínio dos bombeiros, ou afundamento na água, domínio dos salva-vidas) esse texto. Fechar o notebook, levantar e aguardar o tipo oriental retornar do banheiro para poder recomeçar. Ele acaba de voltar, sentou de novo no seu assento e já fechou de novo os olhos! Que durma bem. Gostando ou não do “salvar”, a verdade é que o texto ficou a salvo neste episódio do aperto do tipo oriental. E vou ter agora que salvar esta primeira blogada escrita nos ares, para compartilhar depois através da internete.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Amanhã tudo volta ao normal

Li um conto do Julio Cortazar que descreve um congestionamento na estrada durante o retorno a Paris num fim de semana de férias. O trânsito completamente parado: situação para que as pessoas imobilizadas comecem a interagir com as dos automóveis na vizinhança, criando uma espécie de comunidade. E quando este envolvimento começa a ficar interessante para o leitor, lentamente a fila de carros começa a andar, e cada um segue para seu destino, deixando as conversas no meio do caminho, desta forma desfazendo a comunidade fugaz. Me lembro sempre deste conto, no último dia de conferências. Na conta da saída, o encontro, mesmo que rápido, de velhos e a feitura de novos amigos. E o registro de novos desencontros... e (para usar nosso prefixo) "semi"-encontros.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Vencedor em Pequim

"Eles" estão chegando e pouco a pouco ocupando. Tem 5 chineses participando do Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Planejamento Urbano e Regional - ANPUR, aqui em Recife. Não parecem saber falar português. Me trouxe à memória, quando criança, ouvia falar sobre o "perigo amarelo". Sucumbiremos à força da demografia, e a questão é dentro de quantos encontros vamos ter sessões com tradução simultânea do mandarim. Viverei e verei? A presença chinesa me fez recordar minha viagem à China, no ano de 1994, quando começavam a explorar a promoção de eventos científicos no país. Fui participar do encontro de um grupo de trabalho em urbanismo da Associação Mundial de Sociologia. As sessões eram trilingues: inglês, francês e chinês. Na sessão em que apresentei meu trabalho, a coisa funcionava assim: eu falava em inglês, um chinesão traduzia para o mandarim e uma chinesinha, em seguida, vertia para o francês. Imaginem o quiproquó, que resultava quando inglês e o francês eram intermediados por um idioma icônico! Parecia aquele jogo de criança do "telefone sem fio", e a mensagem que chegava na outra ponta se descolava em maior ou menor grau do texto original. No começo até que tentei obter os ajustes devidos, mas desisti. Esta Babel se tornava maior com a desorganização. Até que, após dias bem bagunçados, na sessão de encerramento, realizado num dos teatros da ópera de Pequim, o presidente da conferência, que era o  presidente da Academia Chinesa de Planejamento Urbano, assim começou falando (o original era em inglês): Chegamos ao final de nossa "vitoliosa confelência". "Ganhamos...", sussurrei aos meus botões.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Ocaso, por acaso

Hoje Roberto e Doris, nossos anfitriões recifenses, nos proporcionaram um dia de surpresas e amizade. O destaque foi a visita ao Instituto Ricardo Brennand ( http://www.institutoricardobrennand.org.br ) onde, firmão, fiz as honras de um tripé e minha foto foi agraciada com um efeito luminoso de desazulação. No calendário religioso, domingo de Pentecostes



domingo, 19 de maio de 2013

Linda Olinda

Meu diário,

Nossos gentis amigos Doris e Roberto anfitrionaram, nos escortando por Olinda, patrimônio da humanidade. Lindas vistas, velhas igrejas preservadas: nosso mais antigo altar, nosso mais antigo seminário, lojas do habilidoso e decorativo artesanato regional, os bonecos. Do bem antigo para o não menos bem novo:  na volta, pit-stop no shopping RioMar, de onde saí com uma camisa de linho branca nova, excelente oferta; para prestigiar nosso prefixo: uma semiguaiabeira.



sexta-feira, 17 de maio de 2013

Dois "pé dágua", dois momentos na vida

Hoje, no Recife, uma chuva forte e persistente (estima-se que choveu hoje 40 % do valor médio desse mês), associado à maré alta, provocou inundações sérias e mais que nunca se mostrou a Veneza brasileira. Não pudemos sair do hotel ****, devido ao caos no transporte. Ficamos no conforto, lendo o jornal e outro material, pondo o papo em dia com o pessoal que veio para a pré-conferência, internetando, trabalhando, assistindo televisão -- um interessante programa de culinária com o Troigros, inventando sobre a culinária judaica oriental, um programa matinal com os artistas que trabalharam na novela cujo último capítulo irá ao ar logo mais, e muitos takes da gente imobilizada e molhada. Escrevendo isso aqui. Fiquei relembrando outras situações semelhantes de chuva que enfrentei em viagem, e que foram algumas. Mas uma delas tem significado especial porque mostra o quanto eu me aburguesei. Semana Santa acampado, com colegas da faculdade, em barraca de lona na Ilhabela. A lona era permeável: filtrava a água. Nos socorremos num bar, e o dono apiedado nos deixou passar a noite sobre o chão frio... Logo mais, após um banho tépido, devidamente "jantados", dormiremos sobre colchão de molas. A vida de cada um mostra acompanhar o caminho do mundo de crescente adaptação à natureza.

Classificando quanto ao número de sílabas


monossílabo  não é...
monossílabo. não é.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Os sons eletrônicos reproduzem algum da natureza



Com o vento o pêndulo balança e faz um tipo-badalo bater na cana que emite um som (um cumprimento) de acordo com o comprimento do tubo. O "Túutu" é incrivelmente o mesmo daquele som de aviso de chegada de mensagem no Facebook, que meu notebook emite. Ao ouvir aquele som "de alerta",  de repente imaginei virtual a piscina em minha frente do hotel , e que  pudesse mudar de "janela" para ler a mensagem. Mergulhei na superfície plana semiespelhada. O Windows virou água.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Galinhas

Querido diário,

Hoje foi um bonito dia em Porto de Galinhas. O nome do lugar não parece casual. Aqui se aporta na galinhagem -- na multisignificância da palavra. Sabe aquela coisa mais sossegada de turista, que fica de lá pra cá, ciscando, ou então fica chocando na praia ou na piscina dos hotéis? Neste terreiro, não se desperdiça energia: o gostoso calor pernambucano -- e o vento que sopra do mar -- trazem satisfação. Vão aí mais algumas fotos das galinhas do Carcará.





Galinha da hora



Querido diário,

Fiz uma viagem muito boa desde São Paulo até Porto de Galinhas, que fica uma hora ao sul de Recife. No local está espalhado um bando de galinhas muito vistosas e coloridas  feitas pelo artista local chamado Carcará, aproveitando-se de tronco de coqueiro caído. Esta que fotografei de retrato e de corpo inteiro foi a quem tocou me dar as boas vindas em nome da galinhada. A coisa lembra muito a cowparade quando algumas vacas coloridas ocupam São Paulo. Já embarcado no avião para o Recife,liguei para o Cazuza para autorizar o serviço de funilaria da parte dianteira do nosso carro. (Ele quis aproveitar para me entuchar um polimento por 300 reais, baixou para 200 mas achei que foi um oportunismo desnecessário e não autorizei isso).

Obs. - A postagem original continha um erro, aqui devidamente corrigido. Peço desculpas a quem por acaso já tenha lido

domingo, 12 de maio de 2013

Capítulo final sem solução da saga do sudoku

Depois de uma certa prática, deu para perceber que aquelas postagens seriadas não funcionam muito bem neste blogue. O formato pílula, com o todo arredondado e rapidamente engolível se mostrou mais adequado. Digo isso porque esta postagem é a quarta que trata de minha perplexidade de não ter obtido a solução de um sudoku de domingo, e embora o assunto dê panos para a manga, comunico que resolvi ser  adequado deixar de tratá-lo, mesmo sem uma solução do mistério. A lição que tive é que não há razão para não se suspeitar de que a mudança de política editorial de um jornal se utilize de vários artifícios para despistar o leitor. Hoje, como no domingo passado, o sudoku de domingo foi muito "bico", ainda mais que o anterior. Tive uma professora no curso fundamental (ex-primário) que quando passava um exercício ou lição mais fácil, dizia que era "de mãe". E no caso mais extremo de ser muito fácil que era "de avó". Pois bem, ficam aí lançados dois balões de ensaio: o sudoku de hoje foi "bico" porque é domingo, dia das mães, e/ou eu sou terrível, mesmo! FIM

Sucedâneo do licor

Sinal dos tempos. Fomos jantar fora nesta noite em celebração do Dia da Mães. Num sábado à noite em São Paulo, é bem normal nos restaurantes haver uma espera para ser "sentado". Após algum tempo, fui pedir notícias para o maître, e ele deu uma olhada para o salão, e informou: os ocupantes da mesa que reservei para vocês estão na sobremesa; falta agora o cafèzinho e o iphone...

sábado, 11 de maio de 2013

Você não vai querer que eu use isso...

É sabida a grande dificuldade que tem os homens para comprar roupa de mulher. Para as de homem, basta apenas conhecer cintura e comprimento. Depois de muitas tentativas, fui melhorando, até me achando capaz. Até que fiz uma viagem para os Estados Unidos e em seguida Porto Rico. Pensei que iria poder comprar um modelito mais regional para dar de "presente da viagem" para a Ângela, se deixasse para fazê-lo em Porto Rico. Ledo engano! Porto Rico era Estados Unidos, mesma moeda, mesmas lojas. Letty, mulher do meu anfitrião boricua Charles Gonzales, me falou de um conhecido seu que tinha uma butique no centro velho de San Juan, e marcou para irmos lá. A centro histórico de San Juan é exemplo mundial de preservação urbanística. Fomos lá, era num domingo, tinha retreta, e o amigo da Letty fez a gentileza de ir abrir a butique só para nós. Vi um bonito vestido e resolvi comprar, seguindo um conselho da Letty, que comprou um igual para ela mesma. Primeira coisa que fiz ao chegar, foi abrir as malas, para tirar o presente que trouxera para a Ângela, na certeza de que iria também gostar. Mas ouvi um: "Você não vai querer que eu use isso". Não conseguia entender porque, era mesmo um bonito vestido. Ela então vestiu meu presente. Tinha um daqueles decotes que vulgarmente se costuma qualificar de "generoso"!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Último feitio

Alfaiate é sempre um profissional de confiança. O do meu pai se chamava Simão e tinha uma salinha no primeiro andar de um prédio na praça principal de Jundiaí. Me levava às vezes junto quando ia confeccionar um terno. Me lembro que o Simão usava uma fita métrica em torno do pescoço, e uma almofada de alfinetes presa no antebraço. Tinha um caderninho onde escrevia à lápis as medidas do meu pai. Uma delas era o cavalo, uma outra a largura dos ombros. Meu tio Rachid veio do Líbano uma vez nos visitar e me trouxe de presente um corte de casimira inglesa. Ficou guardado uns 15 anos, esperando uma ocasião para ser cortado, até quando fui casar. Precisava para isso achar um alfaiate, e por indicação do filho de uma prima, que é arquiteto, fui num alfaiate japonês que atendia no porão da sua casa, no bairro de Indianópolis. Ele  começou a me medir de forma meio esquisita, fazendo círculos, com os olhos presos na  televisão, assistindo "Imagens do Japão" que era transmitido sábado à tarde. Achei que aquela querida casimira iria virar um quimono! Mas para meu alívio e surpresa, bastou uma prova e ficou perfeito. Num porta retrato da sala de casa, vejo aquele terno sendo bem ocupado, acompanhado de um cravo branco e uma bonita noiva.

Alcachofra

A piada era a seguinte: como é que um caboclo faz um "Cynar gelado"? Resposta: entra na geladeira e faz um aceno... Um dia a chuva chegou, e acabei me abrigando num bar, no centro da cidade de São Paulo. Fiquei constrangido de lá ficar sem consumir alguma coisa em troca. Resolvi então aproveitar a ocasião e pedir um Cynar gelado para o garçom atrás do balcão. Ele ficou me olhando... Uma certa perplexidade que me era estranha: afinal de contas, eu estava no balcão de um bar... Não perdi a pose e ordenei novamente um Cynar gelado. O moço me informou que não se costuma guardar geladas as garrafas de Cynar, e se ele poderia me servir sem gelo mesmo. Tentando segurar a pose, respondi firme: "Desta vez, pode!"

quarta-feira, 8 de maio de 2013

My beautiful laundrette

Estudar nos Estados Unidos foi também minha primeira viagem para o exterior. Em 1972, muitas coisas eram ali novas para mim, como por exemplo a neve, o galão, o rootbeer, o frisbee, a máquina de secar roupa. Grande invenção: era difícil encontrar nos quintais norteamericanos aqueles odiosos varais que atrapalhavam o jogo de futebol gol a gol, em dia de sol. Tendo que estudar, ainda por cima em inglês, durante a semana, eu deixava para lavar e secar roupa no sábado de manhã. Pois, de tarde, ia jogar futebol em espanhol. Quando morei  na International House, em Berkeley, havia uma laundry operada por moedinhas em cada andar do dormitório. Eu punha a roupa para lavar e ficava semidesocupado até que ouvisse o "spin" final. Depois transferia a roupa ainda úmida para o secador e ficava de novo semidesocupado. Aproveitava os dois períodos de semidesocupação para escrever cartas para a família, fazendo um relato da semana. Já selada, colocava a carta numa daquelas caixas postais cor azul, que a gente via pelas calçadas. Mamãe se encarregava de mostrar minhas missivas para parentes e amigos, e guardou-as em duas pastas que hoje estão comigo. Há dois anos, aqui em nosso apartamento,  temos em operação na área de serviço uma bonita máquina prateada que lava e seca. Ainda não sei como funciona.

terça-feira, 7 de maio de 2013

domingo, 5 de maio de 2013

Continua misteriosa saga do sudoku

Em postagens anteriores, respectivamente "Uma hipótese conspiratória", "Sudoku de domingo" e o "Mistério do Sudoku não solucionado", e que podem ser acessados clicando o índice aí do lado, fiz questão de registrar um intrigante fato, destoante de minha rotina pessoal, que foi não ter sido capaz de resolver o Sudoku dominical, publicado no jornal Folha de São Paulo. Minha hipótese conspiratória é a de que o jornal o Estado de São Paulo -- que passa por mudanças editoriais -- pediu às editorias (aí incluindo a nova chamada Cruzadas e Sudoku) que pegassem mais leve junto ao leitor, para evitar dificuldades outras que pudessem potencializar antipatias com novo formato editorial. Estranhei muito o fato do Sudoku de fim de semana passado que deveria ser do tipo difícil saiu do tipo fácil e bem pequenino. Pedi explicações através de e-mail e recebi uma resposta tergiversante: 

Prezado Sr. Emilio  ,

Pedimos um voto de confiança. 

O Sr.  verá que continuará sendo muito bem informado pelo Estado neste novo formato.  Pelo contrário. Nosso foco é o de aprofundar, analisar, prospectar e opinar sobre os principais acontecimentos e trazer a você e aos demais leitores informações exclusivas. 

Sabemos que uma mudança no jornal é sempre difícil, mas tivemos de ter a coragem de fazê-la, para ajustá-lo aos novos tempos vividos pela maioria de nossos leitores.

Esperamos continuar contando com o privilégio de sua leitura.
Atenciosamente,

De minha melhor leitura, e seguindo o princípio de quem cala consente ("Qui tacet, consentire videtur") "eles" admitem que a facilitação do Sudoku era parte integrante de um complô mais amplo para amenizar as mudanças de formatação que faziam repticiamente, como se rouba galinha do quintal do vizinho.

O Sudoku de hoje continuou pequenino e embora apresentado como difícil, foi muita moleza para solucionar. Um tipo difícil fácil? A notar, no topo da página um novo colunista, com um diálogo intitulado: SEXO

sábado, 4 de maio de 2013

Al Massih Kam


Esse é o domingo em que a Igreja Ortodoxa celebra a Páscoa. Embora se trate da mesma páscoa "católica", segue outro calendário lunar o que faz com que nem sempre estes domingos coincidam, como foi neste ano. Meu pai seguia a religião ortodoxa, mas como parte do processo de assimilação na cultura de sua nova terra, o Brasil, nos educou dentro da tradição católica. Mas fazia questão de uma vez por ano nos levar para assistir à missa de Páscoa, que é a grande celebração religiosa cristã nos países do Oriente, mais ou menos o que é o Natal por aqui. Me vestiam de terninho, de calça curta, e uma gravatinha borboleta. A Catedral Ortodoxa de São Paulo é uma beleza e tem um impressionante afresco de Deus na cúpula, desenhada pelo pintor russo Krivutz, que assombrava meu olhar de menino. A missa é sempre solene e cantada em árabe. Havia uma distribuição de ovos coloridos. Uma vez, comi um deles, me lembro da clara azulada pela anilina que atravessou a casca, e é meu primeiro registro de indigestão. Desde então, minhas indigestões trazem um gosto de ovo velho. O domingo de Páscoa é um componente doce da memória que guardo de meu querido pai, que morreu quando eu tinha 16 anos.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Criança tem cada uma

"Criança tem cada uma" era o nome da coluna fixa de Pedro Bloch numa dessas revistas da Editora Bloch (nepotismo?). Num papo com amigos anteontem relembramos um "causu" que protagonizou o Francisco quando tinha 5 anos. Fui convidado do prof. Bill Goldsmith para dar uma palestra na Universidade de Cornell. Morávamos em Boston, na ocasião a Ângela trabalhava no seu doutorado sanduíche. Fomos de carro. Na volta de Ithaca para Boston, demos carona para a Profa. Diane Davis, que  tinha aquele jeito especial dos norteamericanos de dar atenção às crianças. Num dado instante, o Francisco que ia sentar na cadeirinha do banco de trás ao lado da Diane, começou a dar ordens. A Diane comentou: "Acho que descobri quem é o rei nesta família". O Francisco imediatamente respondeu (fica no original em inglês) "I am the king. My daddy is the leader, and my mother is the boss". Até hoje permanece enigmático de onde ele foi tirar isso.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Meu primeiro dia na Alemanha

Desci no aeroporto de Hamburgo, sem saber alemão, e peguei um táxi até o hotel. Tinha sido uma longa e cansativa viagem, despenquei na cama. Fui acordado na manhã seguinte pela luz do alvorecer, pois não havia veneziana, apenas cortinas na janela. Olhei pela janela -- aquela cidade alemã, que só de ver dava vontade de tomar cerveja. Depois do café, resolvi andar no entorno, dentro de limites que me permitissem voltar correndo para o hotel caso algum alemão viesse me dizer alguma coisa. Fui até a esquina onde vi uma padaria, que tinha uma vitrine, com pães de diversos formatos e ramos de trigo; nunca tinha antes visto vitrine de padaria. Voltei para a segurança do hotel. Depois arrisquei andar dois quarteirões. E voltei para o hotel. Na terceira saída, mais confiante, andei um pouco mais e vi as escadas para o metrô. Desci e cheguei num saguão vazio e decidi subir uma escada rolante que estava parada. Ao me aproximar o bicho se pôs em movimento fazendo barulho. Levantei os dois braços, e berrei em português: "NÃO FUI EU"