Esse é o domingo em que a Igreja Ortodoxa celebra a Páscoa.
Embora se trate da mesma páscoa "católica", segue outro calendário
lunar o que faz com que nem sempre estes domingos coincidam, como foi neste
ano. Meu pai seguia a religião ortodoxa, mas como parte do processo de
assimilação na cultura de sua nova terra, o Brasil, nos educou dentro da
tradição católica. Mas fazia questão de uma vez por ano nos levar para assistir
à missa de Páscoa, que é a grande celebração religiosa cristã nos países do
Oriente, mais ou menos o que é o Natal por aqui. Me vestiam de terninho, de
calça curta, e uma gravatinha borboleta. A Catedral Ortodoxa de São Paulo é uma
beleza e tem um impressionante afresco de Deus na cúpula, desenhada pelo pintor
russo Krivutz, que assombrava meu olhar de menino. A missa é sempre solene e
cantada em árabe. Havia uma distribuição de ovos coloridos. Uma vez, comi um
deles, me lembro da clara azulada pela anilina que atravessou a casca, e é meu primeiro registro de indigestão. Desde então, minhas indigestões trazem um gosto de ovo velho. O domingo de Páscoa é um componente doce da memória
que guardo de meu querido pai, que morreu quando eu tinha 16 anos.
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