quinta-feira, 30 de maio de 2013

Hamburguer






Na minha infância, comer carne moída era "coisa de pobre". Comida que se preze era aquela feita em casa, uma mais sofisticada comida libanesa, da minha mãe. Meu pai -- com exceção de pizzaria -- tinha uma certa pena de quem tinha que se recorrer a um restaurante para comer. Quando fui estudar em Berkeley, morei num dormitório, a International House, onde fiz amigos norteamericanos e do resto do mundo. Era o sistema room and board, ou seja estavam incluídas as refeições, com exceção do jantar aos domingos. Comíamos num refeitório,do tipo bandeijão, com mesas coletivas, onde alguns alunos ajudavam a servir em troca do alojamento. Os comensais em geral se sentavam com o povo de sua região, e eu naturalmente me enturmava com os latino-americanos. Foi quando então descobri diferenças entre argentinos, chilenos, colombianos. Mas -- muito interessante -- uma coisa nos unia: a tradição ibérica da alimentação com sabor cuidado. Os gringos misturavam gelatina na salada, temperada com um molho rosé, e outra "barbaridades", que uma amiga brasileira curtia como manifestação da liberdade vigente naquela cultura. Conheci uma americana, que talvez por ter feito um intercâmbio em Pádua, tinha uma crítica à comida do refeitório. E uma vez me disse: "Emílio, é uma pena que você coma esta comida, que não é a melhor tradição culinária nossa; gostaria um dia que você fosse em minha casa (em Los Angeles) porque lá poderei lhe servir uma coisa melhor: vou te preparar um hambúrguer feito de 'pure beef'".

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