quinta-feira, 9 de maio de 2013

Último feitio

Alfaiate é sempre um profissional de confiança. O do meu pai se chamava Simão e tinha uma salinha no primeiro andar de um prédio na praça principal de Jundiaí. Me levava às vezes junto quando ia confeccionar um terno. Me lembro que o Simão usava uma fita métrica em torno do pescoço, e uma almofada de alfinetes presa no antebraço. Tinha um caderninho onde escrevia à lápis as medidas do meu pai. Uma delas era o cavalo, uma outra a largura dos ombros. Meu tio Rachid veio do Líbano uma vez nos visitar e me trouxe de presente um corte de casimira inglesa. Ficou guardado uns 15 anos, esperando uma ocasião para ser cortado, até quando fui casar. Precisava para isso achar um alfaiate, e por indicação do filho de uma prima, que é arquiteto, fui num alfaiate japonês que atendia no porão da sua casa, no bairro de Indianópolis. Ele  começou a me medir de forma meio esquisita, fazendo círculos, com os olhos presos na  televisão, assistindo "Imagens do Japão" que era transmitido sábado à tarde. Achei que aquela querida casimira iria virar um quimono! Mas para meu alívio e surpresa, bastou uma prova e ficou perfeito. Num porta retrato da sala de casa, vejo aquele terno sendo bem ocupado, acompanhado de um cravo branco e uma bonita noiva.

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