domingo, 7 de abril de 2013
A arte de embromar (Ars embromatoria)
Semi-estreante em blogadas, segui o conselho de quem quisesse fazer uma crônica deveria ler crônicas. Na coluna: Prosa de Sábado,(Caderno Sabático do Estadão de ontem), Sérgio Augusto se refere ao que batizou de "ars embromatoria", uma técnica em que, desconhecedor do assunto de uma prova ou exame, o aluno "preenche o vazio com com algo que demonstre esforço e inteligência", enquanto "testa a sensibilidade do professor que, se de fato sensível e sensato, só não irá recompensá-lo se a algum disparate somar-se um aluvião de erros de ortografia e concordância verbal". Me fez logo lembrar de um "causu"... O ano era 1968, o das passeatas e militância contra o regime autoritário, e a gente até que ia na aula quando dava tempo entre uma panfletagem e uma assembléia estudantil. Resultado: não tendo passado no escrito, fui para o exame oral em Mecânica dos Solos, poucos dias depois da promulgação do AI 5.Tive então que exercitar o melhor de minha "ars embromatoria" ao ser questionado por um dos examinadores sobre cisalhamento pelo Prof. Carlos de Souza Pinto, um daqueles professores sensíveis e sensatos a que se referiu o Sérgio Augusto, e passei de ano. Muitos anos depois, calculo que tenham sido uns 25, um colega meu de trabalho, Celso dos Santos, foi participar de um congresso de mecânica dos solos na Rússia, ocasião em que encontrou o Prof. Carlos Pinto. Ele contou que eu e ele trabalhávamos no mesmo departamento, e que teve que ouvir o seguinte comentário: "O Emílio era um aluno muito inteligente; tive que aprová-lo sem que ele soubesse a matéria".
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