sábado, 20 de abril de 2013
Café da manhã
Minha vontade de ser cronista se desenvolveu a partir da leitura de muitos outros que me servem de inspiração e inveja. Cada um tem um estilo e uma força própria, mesmo o Millôr Fernandes que assim se apresentava "enfim um escritor sem estilo". Vou falar de um deles, que me fez perceber a universalidade do cotidiano. O autor, um indiano, tinha sua pequenas crônicas publicadas diariamente no jornal que deixavam de manhã em nosso quarto num hotel de Bombaim. A leitura trazia uma pitada de humanidade e humor que acrescia às especiarias e o leite da vaca sagrada no café da manhã. Num dia o tema foi : o que era melhor: barbear-se antes ou depois do banho. No outro dia contou sobre a sua mulher que ouvira dizerem que iria faltar água e fez toda a família acordar às 4 da manhã para tomar banho e em seguida foi lavar a roupa... e o que faltou foi justamente a falta de água no dia seguinte. A partir do prosaico conseguia perorar sobre as dúvidas e o desatinos da vida.
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