terça-feira, 9 de abril de 2013

Aplicando o "Peter Principle"

Em 29 de maio de 2010, postei a mensagem abaixo aos meus colegas do Departamento de Tecnologia da FAU-USP. Percebi que atingira meu nível de incompetência, mas infelizmente não me qualificava o suficiente para um cargo na Reitoria:

 Sou mesmo um ente anacrônico.

Apesar de me esforçar em acompanhar a moçada, continuo achando que sala de aula não é sala de visita. Que as relações entre professor e aluno são essencialmente assimétricas.

Depois de ter seguido pacientemente o roteiro para repreensão a um casal que conversava na sala de aula ignorando minha presença, e sem ter resposta, julguei ser apropriado pedir para que um deles -- cujo nome estou procurando descobrir -- mudasse de lugar.

Achei que seria a forma adequada de ação. Por um lado, afastaria a tentação de continuarem a discutir os assuntos que deveriam ser muito mais importantes ou urgentes que os da aula. Por outro lado, excluí-lo iria impedir que recebesse os possíveis ensinamentos que eu trouxera.

Para minha surpresa, ele me desobedeceu: confesso que não estava devidamente “aggiornado", para administrar afrontas, a primeira que tive em quase quarenta anos de magistério. A coisa mais imediata que ocorreu foi acionar a segurança da escola.

Duas semanas depois, o Professor Ângelo, que presenciou o fato, e que é muito mais jovem, a ponto de ter sido meu aluno, me explicou porque mudar de lugar era forma de humilhação a um aluno: tratava-se de medida que se aplica a crianças da escola primária. (Sou mesmo obsoleto, hoje se chama escola fundamental). Foi o que acabei depreendendo de sua análise fundamentada em princípios talvez freudianos.

Velho ranzinza tem mais é que ir curtir o passado com os amigos, como presenciei naquelas quadras de pétanque, que fazem a alegria dos aposentados em Marselha!

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