Sou mesmo um ente anacrônico.
Apesar de me
esforçar em acompanhar a moçada, continuo achando que sala de aula não é sala
de visita. Que as relações entre professor e aluno são essencialmente
assimétricas.
Depois de
ter seguido pacientemente o roteiro para repreensão a um casal que conversava
na sala de aula ignorando minha presença, e sem ter resposta, julguei ser
apropriado pedir para que um deles -- cujo nome estou procurando descobrir --
mudasse de lugar.
Achei que
seria a forma adequada de ação. Por um lado, afastaria a tentação de
continuarem a discutir os assuntos que deveriam ser muito mais importantes ou
urgentes que os da aula. Por outro lado, excluí-lo iria impedir que recebesse
os possíveis ensinamentos que eu trouxera.
Para minha
surpresa, ele me desobedeceu: confesso que não estava devidamente
“aggiornado", para administrar afrontas, a primeira que tive em quase
quarenta anos de magistério. A coisa mais imediata que ocorreu foi acionar a
segurança da escola.
Duas semanas
depois, o Professor Ângelo, que presenciou o fato, e que é muito mais jovem, a
ponto de ter sido meu aluno, me explicou porque mudar de lugar era forma de
humilhação a um aluno: tratava-se de medida que se aplica a crianças da escola
primária. (Sou mesmo obsoleto, hoje se chama escola fundamental). Foi o que
acabei depreendendo de sua análise fundamentada em princípios talvez
freudianos.
Velho
ranzinza tem mais é que ir curtir o passado com os amigos, como presenciei
naquelas quadras de pétanque, que fazem a alegria dos aposentados em Marselha!
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