quinta-feira, 11 de abril de 2013

Yoguijaca

A condição de semidesocupado faz o tempo perder seu valor utilitário para ganhar valores de não uso. Eliminam-se os prazos de entrega, e o semidesocupado busca formas "criativas" (para usar o termo do Domenico de Masi) para preencher seu tempo. Ontem fui até a estação Marechal Deodoro do Metrô para pegar o bilhete do idoso, que me permite andar de metrô de graça. Flanando na saída da estação, dei de cara com um ambulante vendendo jaca. Inteironas, partidas ou já desbagada em bandeja, do tipo mole, e do tipo duro. Acabei levando um pacote de bago mole. Acabou não sendo bem acolhido em casa -- onde pelo jeito só eu gosto de jaca. Hoje fui acompanhar mamãe nos médicos, e decidi levar comigo aquele pacote, "já que" em casa ele correria risco de ser descartado. Mamãe tinha na geladeira como de hábito aquela maravilhosa coalhada caseira com a qual eu fui crescido. Foi perfeito, jaca, coalhada, o tempo ocioso em conspiração, e foi só destroçar a jaca e misturar na coalhada para perpetrarmos (como diz o Silvio Lancellotti) o que talvez tenha sido o primeiro yoguijaca. Coalhada da mama com sabor de fruta silvestre. Hearthy tasting.

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