quarta-feira, 17 de abril de 2013

Se meu Mustang falasse...

Nos jogos olímpicos as provas de equitação são disputadas pelo "conjunto": cavaleiro e cavalo. Pois entre o segundo semestre de 1972 e o primeiro semestre de 1975, fui dono de um Ford Mustang, cor de sangue, ano 68, decapotável, com muitos cavalos. O conjunto, no caso eu e o Mustang (raça de cavalo selvagem), fomos protagonistas de uma série de pequenos "causus", que daria um opúsculo. Muitos deles se deram na viagem que fiz na companhia de Christian, um colega muito divertido que estudava engenharia em Berkeley, desde San Francisco até a cidade do México, durante as férias de natal e ano novo. No caminho cerca de Puerto Vallarta, demos um chega-mais em outro Mustang conversível com três americanas, que acabaram nos oferecendo para ficar no apartamento delas, numa inesquecível noite de ano novo, celebrado com tiros para o ar. Na cidade do México fui parado por um guarda, para perguntar se eu queria vender o carro. Foi guiando o Mustang à brasileira que assustei tanto uma colega, Marie Howland, que vim a rever em 2011, em Washington, que ela começou a me estapear, e além minha mãe, foi a outra mulher que me bateu até hoje. Atolei no Death Valley, fiquei sem gasolina na Bay Bridge, fui parado e multado duas vezes o que me fez receber uma carta do Ronald Reagan, então governador do estado da Califórnia me declarando oficialmente um "unsafe driver". Tinha um rádio em que ouvia lindas músicas do ano como: Daniel, Killing me softly, You are so vain, Very supersticious. Vou me deter em um dos causus. Meu carro de recém formado no Brasil era um fusquinha. E pulei, sem a devida preparação, para um esportivo Mustangue. Os carros tinham muitas diferenças, uma delas era que o fusquinha era refrigerado a ar. Sem ter noção de que o Mustang precisava de água, um dia o carro ferveu em plana freeway. Encostei, e fiz o que me pareceu o óbvio: botar água no radiador quente, com o motor desligado. Provoquei um mini-geiser, e é claro arruinei o radiador. Pedi ajuda para um colega de Stanford, o Edson Fregni, que veio de longe me buscar enquanto o carro era rebocado para uma oficina. Desde então quando me encontra, o Edson costuma perguntar se eu verifiquei o nível da água no radiador. Aquilo reforçou um certo sentimento de culpa por me atrever a guiar o carro dos deuses. Freud explica?

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