sábado, 30 de novembro de 2013

101





A postagem anterior foi a de número 100 deste blogue e tratou do número 100. Seguindo o modelo, esta postagem, de número 101 vai tratar do 101, um número também especial, com atributos diferentes do seu antecessor: 101 é um número primo, que simula uma representação binária, bonito por sua simetria. De fato, o número 101 é o que se denomina capicua, provavelmente a mais singela delas, ou seja um palíndromo de números. Se 100 é clássico, 101 é romântico. Especialmente porque era o número da Highway que eu pegava para ir a San Francisco -- cidade que muito curtia -- quando morava em Palo Alto. Na outra direção, a "uanouan" era o "way to San Jose". Do you know?



 A próxima postagem será a de número 102, e acho que posso aqui prometer que não vai se referir ao número 102.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

100









Chegamos à postagem número 100 deste blogue – aí estando incluídas aquelas 4 ou 5 que serviram de teste. Não tem como evitar que eu passe aqui a perorar sobre o 100 (cem), um número redondo, quadrado perfeito, que tem representado referência numérica de um monte de coisas importantes para minha geração. A começar pelas notas na escola primária que variavam de zero a 100. Só, depois, no ginásio, passaram a ser medidas de zero a dez, e na pós-graduação, de A a E, com valor decrescente.  É 100 também o valor máximo em reais do dinheiro que atualmente circula na forma de notas, no Brasil. Outra difundida presença do 100 está sua participação na medida relativa da porcentagem (%), e do cem-por-cento, que é tudo. E na marcação das distâncias de caminhadas e corridas, sempre de múltiplos de 100 metros, sendo a mais importante competição na Olimpíadas modernas sejam os 100 metros rasos, onde pespontam ídolos como o Bolt. Chegar à postagem número 100 é um recorde pessoal de tagarelice, prática semiesportiva que um dia pode chegar a ser modalidade olímpica. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Meu querido "noitário"...












Esta situação seria de baixa probabilidade quando saí de casa depois do jantar. Fui convidado pelo Fred Rangel para ouvir música ao vivo: um programa duplo que sua banda Zarabanda iria abrir num bar perto de casa. Imaginem a cena: atrás do palco, os telões transmitiam um jogo de futebol entre a Ponte Preta de Campinas e o São Paulo. No início os jogadores dos dois times, um de cada lado do campo, ficaram ajoelhados formando uma fila solidarizada pelos braços que se apoiavam no ombro do companheiro ao lado, em silêncio. Prestavam assim homenagem a Nilton Santos, jogador tão bom que era tratado por "A Enciclopédia", e que morreu hoje. Os telões não tinham som. O fundo musical, mais justo seria dizer a frente musical, ficava por conta da segunda banda, com o nome de DWG, com a crooner soltando a voz num rock clássico: Brown Sugar, dos Rolling Stones. Incoerência musical total entre vídeo e palco, que eu via e ouvia tomando a mais incoerente das bebidas: uma caipirinha sem álcool! Feita com lima da Pérsia, esmagada com açúcar, gelo e água tônica para substituir a pinga. Daria para encontrar denominador comum entre o Nilton Santos e os Rolling Stones? Algo por exemplo relacionado ao fato do ludopédio ser o esporte bretão? Somando ao outro fato de que ambos recebiam estádios de aplauso? A irretocabilidade de suas apresentações...

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Entre a boca e as ponta dos pés






Ontem olhava boquiaberto para a minha dentista, de máscara branca, com o motorzinho na mão fazendo uma raspagem para tirar as placas bacterianas dos meus dentes. Hoje, foi a vez de olhar para a podóloga, de máscara branca, e motorzinho raspando as unhas de meus artelhos para tirar células mortas. Ambas me querem de novo daqui a seis meses para repetir o procedimento. As simetrias e similitudes não param por aí. O mesmo tipo de cadeira reclinável, que levanta as pernas. A sessão de quarenta minutos.

Igual aos automóveis usados, estes dois penduricalhos inertes, verdadeiras armas implantadas no corpo humano precisam de manutenção. Para melhor nos defendermos, como se diz, com unhas e dentes.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Interlagos






Ontem se realizou o Grande Prêmio de Fórmula 1, na pista de Interlagos. Assisti pela televisão da largada à bandeirada. Como deve ser mesmo. Prerrogativa de um semidesocupado. Nos últimos anos tem sido um tal de ver o futebol com o notebook no colo, ou o viola minha viola lendo o jornal de domingo...

Com o impressionante desenvolvimento do tratamento de imagens, e aquelas microcâmeras de alta resolução a gente vira o piloto da corrida, fazendo ultrapassagens difíceis e curvas no limite.

Interlagos tem um apego e um apelo especial de minha geração que cresceu em São Paulo. Conhecemos o traçado de cor e salteado e o nome das curvas e do retão. Com o carro a 300 km por hora, na subida dos boxes alguém atravessando a pista pode ser inimaginável. Me lembrei de Interlagos nos meus bons tempos de moleque quando íamos de ônibus por uma estradinha ver a corrida e entrávamos por debaixo da cerca de arame farpado, e naquela mesma subida dos boxes, com um asfalto casca de ovo – durante a corrida a gente atravessava a pista para ficar vendo tudo do miolo do autódromo, onde se podia acampar. E, especial nas 24 horas de Interlagos quando à noite se podia divisar o facho dos faróis correndo em dupla pela pista.

À transmissão da corrida de Interlagos posso creditar a única imagem ao vivo desde São Paulo que vi na televisão durante o tempo que morei nos Estados Unidos. Trazia saudades genuínas.


sábado, 23 de novembro de 2013

Reunião de 43 anos de formados no curso de Engenharia Civil da Poli


Novembro de 2012, jantar de 42 anos de formados, no restaurante Rubaiyat. Note-se o Artur, primeiro do lado esquerdo, que foi lá se despedir para se juntar a outros que foram antes convocados.



O re-encontro anual com meus colegas do curso de engenharia civil da Poli, ontem à noite, é o primeiro deles que frequento na condição de aposentado semi-desocupado. Parece ser esta também a situação de metade dos cerca dos 25 presentes. Novidade neste ano é que minha condição me faz agora dispor de tempo e vontade, para poder cronicar.

Rever os colegas é sempre uma oportunidade de se por em dia com cada um deles, e fiquei refletindo sobre a diversidade das trajetórias. Uma vez, um colega chamou a atenção para a amplitude de possíveis futuros que se descortinava para os formandos da Poli no ano de 1970. Estávamos muito perdidos num matagal com trilhas que se bifurcavam à direita e à esquerda, podendo conduzir as luzes sedutoras do mercado financeiro, num momento em que a Bolsa de Valores explodia, à clandestinidade da luta armada na forma da guerrilha, ao convívio com a resistência ao regime autocrático.

Na ideologia dominante, o curso de engenharia iria mesmo servir para o sucesso identificado com construir um patrimônio pessoal. Observando cabelos brancos, fiquei mentalmente juntando diferentes histórias de nossa turma, e constatar em que medida alguns foram bem sucedidos. E acabei me dando conta o quanto a turma dos civis foi capaz nestes 43 anos. No campo profissional da engenharia e também fora dela!

Para ilustrar (e não vou dar aqui os nomes), tivemos ministro, um secretário de estado, presidente e diretores de empresas públicas e privadas, responsáveis por projetos e grandes obras de engenharia, um autor de livro de enologia, outro de dois livros sobre fotografia, pelo menos sete que seguiram como professores universitários, joia rara, entre os quais temos uma pérola, o Henrique Lindenberg Neto, que foi escolhido o Professor do Ano neste ano. Não é formidável?

Sinto que no todo podemos dizer que fomos uma turma de sorte.

Prometo que voltarei a aprofundar os significados humanos deste momento repleto de gentilezas e cordialidade na blogada que postarei a respeito do próximo encontro, comemorando os 44 anos de formados. Se Deus assim quiser!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Resta









O conhecimento, cuja obtenção, organização e transmissão fazem nossa vida na academia, é imaterial. Por isso morro de inveja dos meus amigos e colegas que trabalham em construção e podem passar pela frente e apontar coisas de cuja feitura participaram. Na semana retrasada estive assistindo a um concerto de um conjunto holandês, o Combattimento Consort Amsterdam, na sala São Paulo quando encontrei um colega de colégio, Abel Vargas, que constrói instrumentos musicais. No intervalo, me falou que o cravo usado naquele palco foi ele quem construíra. Meus colegas de engenharia indicam por exemplo edifícios de cuja obra participaram, seja no cálculo estrutural, na execução de fundações ou no projeto de iluminação. Sim, sim, tenho participado da educação e formação, e muitos ex-alunos brilham por aí. Mas isto está longe do que se convenciona entender por um legado. Estou escrevendo estas linhas porque vi um anúncio de um Seminário que se realizará amanhã em Brasília, com o título: "Seminário Internacional Instrumentos Notáveis de Intervenção Urbana". Me lembrei que, vinte anos atrás, em 1993, fui organizador de um "Seminário Internacional Instrumentos de Intervenção Urbana" (nota -- sem os notáveis), realizado na FAU-USP, e que foi pioneiro, implicando delicado trabalho. Ao meu eventual leitor pretendo aqui apontar com o dedo indicador essa uma obra minha, que vai sendo por aí conduzida de forma mutante. Na poesia de Dylon Thomas:

(...)
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Passeio ao Cânion do Xingó







O lago formado pela barragem da usina hidrelétrica de Xingó, no rio São Francisco, inundou uma ampla área cobrindo o cânion de Xingó mais ou menos na metade de sua altura, que assim se tornou navegável. Fizemos um passeio de catamarã, desde a barragem até os cânions. O mítico Velho Chico que nunca consegui navegar -- nunca deu certo, desde a época das gaiolas -- estava muito azul bonito. E aquela "integração nacional" deu o tom entre baião, xótis e xaxados que o locutor botava para animar o passeio. Na hora do arranque, no lindo dia ensolarado, o samba-rock empolgou os turistas: "Moro num país tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza". Que beleza!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Sanfonadas em Aracaju

Hoje, fomos explorar Atalaia by night, caminhando pela orla. Num trecho conhecido por Passarela do Caranguejo paramos para comer no terraço de um dos restaurantes, onde nos agradava o vento que vinha do mar. De repente, ela. O som nordestino da sanfona, tocada por um moço, que vinha da parte de dentro do restaurante, meio abafado pela parede. Para fazer a gente mexer. É um instrumento privilegiado, permite a melodia, o acompanhamento, e um andamento conforme a letra. Tudo para seduzir o ouvinte como o diabo gosta. O que valia era a pegada, independentemente da música que o sanfoneiro elegia entre os mais apreciados temas da música universal, o que incluía entre outros "O´Sole Mio", "It is a wonderful world", "Take five", "Carinhoso"... Sempre com aquelas baixarias na mudança de acorde. Fica aqui um fundo musical do southwest dos Estados Unidos, que é o irmão musical siamês do nosso nordeste: homenagem à sanfona... um forró na Luisiana, reinação de Queen Ida





quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Quase perdemos o voo




Em algumas poucas horas estaremos indo para o aeroporto de Guarulhos para pegar um avião para Aracaju. A Ângela, típica "risk averter" gosta de sair de casa algumas horas antes do horário do voo, bem mais do que eu acho necessário. Embora nunca nos tenhamos atrasado a ponto de perder o avião, teve uma vez que foi quase. Fizemos uma escala em Nova Iorque voltando do Canadá. O voo para o Brasil só iria sair no início da noite e dispúnhamos de um tempinho. Liguei para meu amigão Georges, que marcou conosco no Village. A bagagem ia seguir direto, e pusemos a de mão num daqueles lockers operados com moedinhas, e fomos para a Big Apple. O Georges nos encontrou no Balducci's que para mim naquela época de restrições à importação, era mais entretenedor que a Disney. Terminada as compras, a Ângela começou a sinalizar que era chegada a hora de retornar ao Kennedy, mas eu decidi tomar um cafezinho e continuar o papo gostoso com meu amigo novaiorquino, o que foi fatal. Mesmo sendo NYC, taxis vazios são mais raros na hora do rush, e o transito houvera piorado muito, e o motorista disse que tinha havido um acidente na Expressway em Jamaica, e ficamos em situação bem difícil. O motorista deu seu melhor empenho para chegar o quanto antes, acelerando por caminhos alternativos, e quando chegamos o voo já havia sido chamado e tínhamos ainda que ir pegar a bagagem de mão, que pareceu que ficou muito mais loooonge do que onde deixamos. Chegamos no balcão para alegria do pessoal da Varig que nos carregou pelas filas do controle de passaporte  e nos jogou dentro do Boeing, cuja porta se fechou nas nossas costas. O avião lotado nos encarava.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Mexico City

Escrevi esta blogada em outubro de 2007, 



Diário da colônia
Ontem saí caminhando de meu hotel na “Zona Rosa” da cidade do México na direção de seu centro histórico. 
Me lembrei de uma palestra dada em Berkeley pelo Lawrence Ferlinghetti, grande poeta e dono da livraria e editora City Lights, da (velha e maluca) cidade de San Francisco, quem promoveu e publicou grande parte da produção da Geração Beat. A palestra fora promovida por um grupo de solidariedade ao povo da Nicarágua, que sofria na época as conseqüências do apoio dado pelos norteamericanos aos contras (lembram-se do famoso caso Irã-Contras, pelo qual o dinheiro obtido pela venda “por fora” do petróleo iraniano a Israel era transferido através da CIA aos contrarevolucionários na Nicarágua?).
Já com a voz enfraquecida, o Ferlinghetti começou a contar que recém chegou da Nicarágua, e o que mais lhe chamara a atenção é que havia vida nas ruas...coisa que ele não conseguia ver nos Estados Unidos.
Pois é, há vida nas ruas da cidade do México, pelo menos nesta parte próxima ao centro. Não chegam a ser as ruas de Bombaim, onde um dos extremos que pude presenciar foi um “tirador de cera do ouvido”, que trabalhava na calçada. Mas aqui há aqueles que levam um tabuleiro de xadrez uma mesinha e duas cadeiras, e se oferece para jogar; há a versão mexicana da baiana do acarajé, que fazem tacos, tortilhas e os deliciosos tamales; dogueiros oferecendo todo tipo de comida, milho cozido, rodelas de abacaxi, caldo de galinha,até dog, tudo naturalmente com muita pimenta; estudantes fazendo algazarra.
Interessante é observar a transformação de usos dos edifícios na parte central da cidade do México, muitos dos quais bastante imponentes da época colonial: aquele sutil impacto da globalização, na forma de “tacos árabes”, cursos de feng shui, ao lado de uma laboratório de exames que oferece ressonância magnética de campo aberto; entrei por uma rua seguindo a indicação: Teatro Diego Rivera, onde vi que estava passando a peça com o nome de “Orgasmos”, e garantem que é comédia. Do outro lado da rua, um edifício clássico, iluminado, parecia um outro teatro mas era o velório de uma funerária. Em toda parte os celulares...
No jornal de sexta-feira, hoje há um caderno VIP, melhor dizendo dos VIPs, e é todavia outras pessoas que as das ruas. São as “chefs” que preparam doces para comemorar Colombo, que descobriu a América. O mesmo jornal mostra lado a lado o contraste latinoamericano; o Evo Morales e a Rigoberta num cerimonial celebrando a criação do Estatuto do povos indígenas e na outra foto, Lula e dona Marisa, sentados vendo o rebolado de uma mulatona de biquíni.
Temos um olhar para eles e eles têm um olhar para a gente. Diferentes olhares fazem superar o etnocentrismo.

domingo, 10 de novembro de 2013

Batingen Makbusse








Neste sábado, achei berinjelinhas no supermercado e levei para a casa de minha mãe que eu queria ver para a aprender fazer aquela deliciosa conserva de berinjela com nozes -- chamada em árabe de "batingen makbusse" (como peguei eufonicamente). Sabia muito bem que obter de minha mãe a receita de forma íntegra era missão impossível, optei por dar uma de ajudante aprendiz, o que se revelou mais eficaz. Anos de prática levaram à criação de soluções. Vou citar uma delas: após lavar, cortar os cabinhos, cozinhar -- um tempo X -- as berinjelinhas, fazer nelas uma incisão para colocar alho -- que me permitiu previamente socar no pilãozinho com sal -- era preciso prensar para extrair a água retida. Para isso, as berinjelinhas foram acomodadas bem juntinhas dentro de um escorredor de macarrão de plástico, em cima das quais fazia um bom peso uma panela cheia de água, tampada com um prato sobre o qual estava uma leiteira cheia de água. São os tais segredos de mãe para filho.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Nohad Toulan -- agora na versão em português




Coloquei ontem neste blog um texto que houvera acabado de postar num e-group formado por acadêmicos (pricipalmente norteamericanos) da área de planejamento urbano -- Planner's Network e da qual tenho feito parte. Era meu registro entre lembranças de Nohad Toulan, Professor Emérito de "Urban Studies and Planning" da Portland State University, após a notícia de sua morte em consequência de um acidente automobilístico ocorrido no Uruguai. O texto foi postado em sua versão original em inglês, e achei que seria certo fazê-lo no idioma que Bilac chamou de "Última flor do Lácio, inculta e bela".

No ano de 1989, quando eu era Professor Visitante no Departamento de Planejamento Urbano e Regional da Universidade da California em Berkeley, ocorreu na cidade de Portland o Encontro Anual da Collegiate Schools of Planning -ACSP, a associação das escolas de planejamento dos Estados Unidos. Viajamos para lá de carro, e me lembro ter sido a primeira do Francisco, então com três anos e que procurava entender porque ficar num carro tanto tempo. Fomos pela costa e voltamos por trás da serra, o que nos permitiu visitar o Crater Lake, recomendação explícita do Prof. David Dowall -- responsável pela disciplina cujas aulas compartilhava comigo.

O anfitrião do encontro em Portland era justamente o então Professor Nohad Toulan, de origem egípcia, que tinha passado por Berkeley onde obteve, como eu o Master of City Planning. Percebo em quem viveu Berkeley naqueles anos 60 um espírito especial marcado por muitas ambivalências talvez a maior delas a que se coloca entre o sério e o irônico, ambos filhos aplicados da inteligência. 

No hotel do Encontro da ACSP, se realizava simultaneamente uma reunião de veteranos da 2a Grande Guerra que houveram feito parte de um determinado pelotão de bombardeamento aéreo. Membros das duas tribos tão díspares se misturavam no saguão. Ao abrir a conferência da ACSP, Nohad Toulan, nosso elegante anfitrião começou sua fala, com uma absolutamente desnecessária advertência aos presentes: "Aviso que o encontro do pelotão de bombardeadores é no salão ao lado..." Risos.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A small remembrance of Nohad Toulan (versão original em inglês da postagem que enviei para a rede PLANET - Planner's Network)


Dr. Nohad A. Toulan is Dean Emeritus of the College of Urban and Public Affairs at Portland State University



A small remembrance of Nohad Toulan,


In the year of 1989, while I had been a Visiting Scholar at UC Berkeley, the ACSP annual meeting was held in Portland, hosted by Prof. Toulan. With my family, I drove up from San Francisco Bay area to attend it. At the conference hotel there had been a simultaneous – smaller though – meeting, of a group of Veterans that have joined a bombardment squad during the 2nd WW. Participants of both meetings were sharing the hallway. Toulan – who was due to open the ACSP meeting -- put his style with a humoresque introductory warning: “The meeting of the bombardiers is in the next door saloon…”  

terça-feira, 5 de novembro de 2013

É preciso muito cuidado ao escolher parceiras, principalmente as velhinhas...






Tem um certo tipo de guarda de trânsito especialista em se aproveitar de situações que são ardilosas ao motorista para se divertir canetando. Afinal, ao usar o talonário de multa, o guarda pode se sentir por exemplo como um doutor da medicina... Um deles me fez protagonizar um causu. Me parou numa destas batidas e depois de examinar a documentação me disse que eu estava infringindo a lei por andar com a placa dianteira do carro ilegível. De fato, batidas frontais em paredes de concreto de shopping centers deixavam suas heranças de apagamento, mas nada a meu ver que não permitisse identificar a placa... A infração no caso resultaria numa enorme canseira, me obrigando, além de pagar a multa, a submeter o carro a nova vistoria de placa. Era mesmo o caso de pechinchar, argumentando que não estava tão mal, e que eu iria imediatamente retocar os números de preto bem forte. No meio da conversa, passava pela calçada uma velhinha, com aquela aura de beatitude, onde a gente coloca o coração da vovó, sempre mimando. Arrisquei: "Minha senhora, leia o número desta placa!", achando que se fizesse, a opinião do guarda e sua autoridade iriam esfarelar. Ela parou, olhou e calmamente disse: ""Tá um pouco apagado, difícil de ler"...

Jabá




Jabá era o nome dado a uma prática na "era do rádio": era quando um cantor pedia para um dono de um programa divulgar seu disco novo, que levava consigo para o estúdio. Talvez uma corruptela de jabaculê -- apelido dado ao suborno. Em todo o caso vou aproveitar esta postagem para um jabazinho do livro "Expropriación y conflicto social en cinco metrópolis de America Latina", editado por Antonio Azuela, e recém publicado no México; sou o co-autor de um dos capítulos. Será feito um lançamento do mesmo na próxima semana por ocasião do VII Congresso Brasileiro de Direito Urbanístico, a se realizar na PUC - São Paulo. 







segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Domingo






É o diferente entre os sete dias da semana. Dia de descanso. Dia de missa. Dia de encontro: se reunir com amigos, em torno da família, no estádio esportivo. Na vida, meu domingo passou por várias fases e momentos: tinha o circo do Arrelia, e depois a Jovem Guarda, na televisão. Teve a época de levar o Francisco para brincar no parquinho do clube. Quando acontecia ficar sozinho no dia de domingo -- e era frequentemente o caso quando eu era estudante de pós graduação nos Estados Unidos, eu me desestruturava. Na International House, como nos demais dormitórios estudantis, no domingo não tinha jantar. Num daqueles domingos, que estava ensolarado, fui na piscina que ficava no conjunto esportivo em Strawberry Canyon, atrás do campus da Universidade, em Berkeley. Discutia com um colega colombiano, José Fernando Pineda, sobre um programa para a noite, e surgiu a possibilidade de uma paella de jantar na casa de umas americanas, que estavam também na piscina. Eu vislumbrava naquilo algum esquema que servisse de lembrança e sucedâneo do almoço familiar -- o folclórico macarrão da mama, que em casa era o charutinho de folha de uva. Estava ansioso para recuperar aquele momento especial como filho voltando para casa dos pais e sendo recebido como o pródigo da Bíblia, com festa e carinho. Pensei: vou para a casa, tomo um banho, descanso e vou para a casa das gringas, onde me espera uma fumegante paella, com uma taça de vinho. Normal para um "filhinho de mamãe", não é? Doce inocência, as gringas nada tinham a ver com a mãe da gente. Elas entravam com a casa e os talheres. Tivemos que ir eu e o José Fernando até a peixaria -- a única aberta num domingo, meio longinho -- para comprar os frutos do mar, que precisavam ser limpos e descascados, e trabalhamos de forma ineficiente -- preocupado, me lembro que como bom brasileiro tinha deixado tarefas escolares para o fim de semana -- para fazer a paella, que saiu mais ou menos. Depois, lavar os pratos, que as gringas, estudantes, não tinham "dishwasher". Desculpem lançar mão de expressão surrada: eu era feliz e não sabia, mesmo!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O meu e todos os santos



Emilio daria um bom nome para santo, eu acho. 

Falo isso não apenas porque é o meu próprio nome, mas porque Santo Emílio soa harmônico, se comparado por exemplo àqueles nomes orientais que não tem correspondente na tradição ocidental – imaginem  um São Fumanchu ou um Santo Mohammed Ibn Saoud, ou mesmo um beato Yamamoto.  

Só não acho um Santo Emílio nas listas de nome de santo que aparecem na internete. Há apenas registro de uma pequena vinícola Santo Emílio, que fica em São Joaquim, no estado de Santa Catarina, tido como o lugar mais frio do Brasil...


Para os que não têm um dia com santo de seu nome, me sugeriram uma vez, é que foi inventado o dia de hoje, dedicado a todos os santos. Assim, para mim – acompanhado pelos Fumanchus, os Abdullahs e os Yukinoris – restou ter em comum o primeiro de novembro como o dia do santo padroeiro.

Aquele time do Corinthians ter conseguido se sagrar campeão do mundo de futebol deve em grande parte ser creditado ao poder de um São Jorge, que nunca existiu... Real ou fictício, vale uma fé em Santo Emílio: Ora pro nobis!