segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Domingo






É o diferente entre os sete dias da semana. Dia de descanso. Dia de missa. Dia de encontro: se reunir com amigos, em torno da família, no estádio esportivo. Na vida, meu domingo passou por várias fases e momentos: tinha o circo do Arrelia, e depois a Jovem Guarda, na televisão. Teve a época de levar o Francisco para brincar no parquinho do clube. Quando acontecia ficar sozinho no dia de domingo -- e era frequentemente o caso quando eu era estudante de pós graduação nos Estados Unidos, eu me desestruturava. Na International House, como nos demais dormitórios estudantis, no domingo não tinha jantar. Num daqueles domingos, que estava ensolarado, fui na piscina que ficava no conjunto esportivo em Strawberry Canyon, atrás do campus da Universidade, em Berkeley. Discutia com um colega colombiano, José Fernando Pineda, sobre um programa para a noite, e surgiu a possibilidade de uma paella de jantar na casa de umas americanas, que estavam também na piscina. Eu vislumbrava naquilo algum esquema que servisse de lembrança e sucedâneo do almoço familiar -- o folclórico macarrão da mama, que em casa era o charutinho de folha de uva. Estava ansioso para recuperar aquele momento especial como filho voltando para casa dos pais e sendo recebido como o pródigo da Bíblia, com festa e carinho. Pensei: vou para a casa, tomo um banho, descanso e vou para a casa das gringas, onde me espera uma fumegante paella, com uma taça de vinho. Normal para um "filhinho de mamãe", não é? Doce inocência, as gringas nada tinham a ver com a mãe da gente. Elas entravam com a casa e os talheres. Tivemos que ir eu e o José Fernando até a peixaria -- a única aberta num domingo, meio longinho -- para comprar os frutos do mar, que precisavam ser limpos e descascados, e trabalhamos de forma ineficiente -- preocupado, me lembro que como bom brasileiro tinha deixado tarefas escolares para o fim de semana -- para fazer a paella, que saiu mais ou menos. Depois, lavar os pratos, que as gringas, estudantes, não tinham "dishwasher". Desculpem lançar mão de expressão surrada: eu era feliz e não sabia, mesmo!

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