O conhecimento, cuja obtenção, organização e transmissão fazem nossa vida na academia, é imaterial. Por isso morro de inveja dos meus amigos e colegas que trabalham em construção e podem passar pela frente e apontar coisas de cuja feitura participaram. Na semana retrasada estive assistindo a um concerto de um conjunto holandês, o Combattimento Consort Amsterdam, na sala São Paulo quando encontrei um colega de colégio, Abel Vargas, que constrói instrumentos musicais. No intervalo, me falou que o cravo usado naquele palco foi ele quem construíra. Meus colegas de engenharia indicam por exemplo edifícios de cuja obra participaram, seja no cálculo estrutural, na execução de fundações ou no projeto de iluminação. Sim, sim, tenho participado da educação e formação, e muitos ex-alunos brilham por aí. Mas isto está longe do que se convenciona entender por um legado. Estou escrevendo estas linhas porque vi um anúncio de um Seminário que se realizará amanhã em Brasília, com o título: "Seminário Internacional Instrumentos Notáveis de Intervenção Urbana". Me lembrei que, vinte anos atrás, em 1993, fui organizador de um "Seminário Internacional Instrumentos de Intervenção Urbana" (nota -- sem os notáveis), realizado na FAU-USP, e que foi pioneiro, implicando delicado trabalho. Ao meu eventual leitor pretendo aqui apontar com o dedo indicador essa uma obra minha, que vai sendo por aí conduzida de forma mutante. Na poesia de Dylon Thomas:
(...)
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.

e vai ficar assim, por isso mesmo ?
ResponderExcluir