quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Da Route 66 para a Highway One










Em minha postagem anterior contei de uma viagem que fiz de Palo Alto até Albuquerque que pegou um trecho da Route 66. Foi a ida. Quero contar nesta postagem sobre a volta -- que foi uma semi-aventura. Daria um opúsculo, mas vou precisar eliminar detalhes para ficar com uma dimensão de postagem. Voltei de carona. A primeira delas, arrumei no "bulletin board"  na parede da Student Union da Universidade do Novo Mexico. Estava cheio de pequenos cartões pendurados oferecendo tudo. Me interessei por uma oferta de carona em troca do pagamento da gasolina, desde Albuquerque até Santa Barbara. Era um estudante voltando de férias. Tinha um outro caronista, que estava voltando do Vietnã, onde serviu as tropas norteamericanas naquela infame guerra. No caminho, me lembro de duas coisas que ouvi no rádio: "A banda" do Chico Buarque, e de quem meus companheiros de viagem não tinham noção; e a notícia sempre repetida do ataque terrorista contra os atletas israelenses em Munique. E toca comer no Mc Donalds, a 9 cents um hamburguer básico! Paramos em Needles, tida como a cidade mais quente da California, que era o destino do outro caroneiro. Os pais nos receberam muito ótimo, entramos na piscina para refrescar a noite, e me tocou dormir no quarto da filha ausente. Foi minha primeira vez num quarto de menina, com lençóis e fronha cheia de margaridinhas. Paramos em Los Angeles, onde dormimos na casa de uma americana que tinha me dado o endereço, no bairro de Venice. Dia seguinte, seguimos para Santa Barbara, destino combinado.

De lá, meu caminho era highway 1, que vai beirando o mar. Para quem não conhece a Highway 1 é um cenário deslumbrante e inspirador, que acompanha os recortes do litoral. Fiquei em pose de caroneiro num posto de gasolina, até que passou um carrão com um novo rico losangeano, que ia até a praia de Cayucos, onde tinha uma casa do tipo fim de semana. Me deixou na Highway 1, na entrada da cidadezinha, onde fiquei com o polegar para cima. Acabou me pegando -- depois de muito tempo -- uma kombi sem banco traseiro de um casal hippie, que deveria ter no veículo também sua moradia. Vivia lá um cachorro, que repartiu o tapete traseiro comigo. Estavam interessadíssimos em saber se no Brasil havia coca. Passei por grandes emoções quando o hippie motorista resolvia beijar o cachorro atrás, em plena curva. Me largaram em Big Sur, e fiquei extasiado com a beleza daquele lugar, onde o Pacífico encontra uma vegetação de árvores com clima temperado. Lá me enturmei com uns mochileiros de Chicago, e encostei meu (na verdade, era emprestado) sleeping bag  na barraca deles. Um vento frígido vinha do pacífico. Na manhã seguinte me pegou um casal de chicanos em lua de mel. Dirigiam em ritmo de felicidade, e paravam para degustar tudo o que se oferecia no caminho: vinho, frutas (e eu ia junto). Até que me deixaram na esquina da 101 com a rua Embarcadeiro, em Palo Alto uns dez quarteirões da casa dos Lush. Ficaram pasmos quando contei sobre o meu périplo. "Your English has improved a lot", tive que ouvir. Não me lembro -- desde que me formei engenheiro -- de ter passado um período como este onde tinha parcas idéias sobre o dia seguinte: o que me reservaria para conhecer, e onde iria cair para dormir.

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