sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Jabaquara








Na fila das reuniões de confraternização que ocorrem final de ano, teve ontem a de um grupo de técnicos -- entre os quais me incluo -- que trabalhou na Divisão de Economia e Engenharia de Sistemas, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, divisão essa que não existe mais. A maioria dos presentes já não está mais no IPT, alguns aposentados, ou semi. O espírito grupal ipetesista baixou e as distâncias espaçotemporais se se esvaneceram por alguns momentos. Ajudou para isso o local que trazia boas lembranças coletivas, um restaurante chinês no bairro de Pinheiros, que é filho do "China Massas Caseiras" aonde íamos almoçar com uma certa frequência nos anos 70 e 80.

O "China Massas Caseiras" ocupava um sobradinho geminado na rua Mourato Coelho, onde a cozinha era na cozinha e o salão nos quartos do andar de cima. Muito especial, tanto é que fechava às 4as. Servia o fino da culinária -- aquelas massas feitas ali mesma e servidas "comme il faut". Os pastéis vinham com um recheio úmido no ponto das esfihas de minha mãe. Eram cozidos no vapor, ou fritos. Um de nosso grupo, o Abraham Yu, PhD pela Universidade de Stanford, fazia as vezes de anfitrião e explicava o jeito chinês de comer tais pastéis -- com gengibre ralado no vinagre e uma pitada de pimenta. Depois aquele macarrão com molho chinês, e pepino ralado,que o Abrão misturava na tigela, sem contar a salada de acelga com frango ou o frango à passarinho frito com pele num óleo bem quente, prato cujo nome em chinês se pronunciava "jabaquara". O Abrão -- que mexeu pauzinhos ontem -- era nosso interlocutor com o antigo dono, já falecido, que só se pronunciava num sorridente chinês; ficava no caixa e tinha um misterioso método próprio de totalizar a conta direto, sem somar as colunas. (Deveria ser um tipo soroban mental). O restaurante onde fomos ontem é do filho daquele senhor, de quem herdou o cardápio e seus segredos. Inclusive o Jabaquara.

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