quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Lojinhas
Com a crescente oligopolização do comércio impulsionada pela dupla shopping/franquia, cada vez menos temos a figura do dono da loja. Na minha infância, na década de cinquenta, tínhamos no nosso quarteirão na rua Pamplona, a par do açougue daquele tipo que a Sanitária fecharia, do vendedor de galinhas (vivas), do japonês cuja tinturaria era também a casa de sua numerosa família, a farmácia do seu Marcondes, com prateleiras altas e uma escada de correr, e uma porta que a gente atravessava para ir pincelar a garganta, a mercearia da Dona Margarida, portuguesa, que jogava dentro do pacote de compras um brinde, alguma coisa encalhada como por exemplo pedrinhas de anil ou balinhas para as crianças, e seu concorrente o "mercadinho sírio" do seu Subhie, senhor de acentuados sotaque e surdez, com quem protagonizei um "causu". Minha mãe pediu que eu lá fosse para comprar queijo parmesão (naquele tempo não se vendia ralado). Quando trouxe para casa, ao olhar aquilo que eu havia trazido ficou indignada com a baixa qualidade; segundo ela era feito na Argentina e era "puro sal". Me pediu que fosse devolver. Assumi a indignação materna, e entrei no mercadinho, com o peito estufado: "Seu Subhie, este queijo é bom?" Ele respondeu: "Asbicial".
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