segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
O primeiro dezembro de um professor aposentado
Um dia desses tive um sobressalto: será que me esqueci de passar pela secretaria da Faculdade para agendar minhas férias do ano que vem? O que tinha me esquecido é de outra coisa, é a de que agora, aposentado, não tenho mais férias (e tampouco aquele bem chegado um terço a mais no salário ).
Agora só tenho férias, é no que se tornou minha vida profissional. Novas perspectivas se descortinam para um velho militante.
Dezembro, mês quente, não é mais aquele em que -- na assombração das férias escolares que tem como arautos as renas do Papai Noel -- nos despedimos do "ano velho" e programamos o "ano novo", ações que se semi superpõem... O aposentado vivencia assim um espécie de vazio de marcos ligados à condução da história pessoal, que se consolidam na passagem do ano.
Esse "novo dezembro", agora mais indiferenciado dos demais meses do ano, se propõe para uma comunidade de pesquisadores, como um interessante tema para especulação. E quem sabe de alguma preocupação por parte de uma Universidade no seio da qual encontramos debates sobre minorias. Como se os seus docentes idosos e aposentados não se constituísse numa das que deve receber merecida atenção! Para ser bem sincero, acho que seria acolhida com mais consideração do que a carta do Reitor ou homenagens da Congregação que recebi, com mensagem -- se bem decodificadas -- que se resume a uma palavra: "Adeus". O celebrizado nos versos do poetinha Vinícius de Moraes:
Ai, a lua que no céu surgiu
Não é a mesma que te viu
Nascer nos braços meus
Cai, a noite sobre o nosso amor
E agora só restou do amor
Uma palavra : Adeus
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Que você continue apenas"semi" desocupado!
ResponderExcluirAbraço,
Délia