
No ano de 2011, a Universidade de São Paulo introduziu na carreira docente a chamada progressão horizontal. Foram criados os níveis de Professor Doutor 1 e 2 -- ao qual poderiam se candidatar os Professores Doutores -- e de Professor Associado 1, 2 e 3 -- aos quais poderiam se candidatar os Professores Associados, que era (e é) o meu caso. Eu tinha minha aposentadoria marcada para ser publicada no final do mês de julho daquele ano, e uns dias antes esta nova carreira por muitos anos aguardada foi anunciada. Prometia um novo enquadramento baseado em critérios qualitativos, e um boletim da reitoria afirmava que 90 % dos Professores Associados seriam contemplados. Achei (doce inocência!) que estas informações eram verdadeiras, e resolvi me submeter ao processo de progressão, suspendendo a data da publicação de minha aposentadoria até que saísse o resultado. Continuei trabalhando em ritmo crescente. Tem sido um longo caminho em que os elogios que recebo não são capazes de impressionar uma Comissão preocupada em miudezas, e que tem sido incapaz de se reconhecer como tal. Anteontem recebi da Coordenadora da Comissão de Avaliação um e-mail que parece ser a pá de cal sobre minha pretensão de progressão de forma pacífica. Estou inconformado com a negativa, que seria tolerável se baseado em um processo bem fundamentado e respeitoso para com um colega de ensino. Infelizmente não sobra alternativa senão prosseguir em instâncias superiores, o que implica me dessemidesocupar. Preciso agora gastar um tempo que poderia ser de criação e lazer -- e talvez dinheiro com advogados -- para a crítica de um processo que é revelador de como é possível o destrato num ambiente universitário, no qual sempre se espera a prevalência da lógica, da justiça, trilhas que levam à verdade, e do coleguismo. Por ser revelador de um quadro maior de uma situação não infrequente que vivem professores mais seniores da Universidade de São Paulo, acho que vale a pena postar (parte do) trabalho de reflexão sobre o tema. Para que não fique vazio, vou aproveitar do material crítico detalhando o que quero dizer nas próximas blogadas. Sinto, mesmo!
Nenhum comentário:
Postar um comentário