sábado, 18 de janeiro de 2014

O lobo e o cordeiro

Esta postagem dá prosseguimento ao tema tratado na quatro anteriores. 

Encorajado por um grupo de colegas da FAU-USP que também não tiveram a progressão horizontal recomendada, e na busca uma análise mais adequada e justa de meu memorial, submeti, em novembro de 2012, um pedido de reconsideração. A coisa funciona assim: o Comitê setorial pede um novo parecer para um assessor ad hoc, que é de sua escolha, devendo utilizá-lo como base para emitir seu parecer conclusivo. 
Por favor, leiam isso: 
Assessor (Reconsideração) 
Recomendado 3        
Considero significativo o percurso científico e intelectual do candidato. Tem uma obra importante na sua especialidade, reconhecida nacional e internacionalmente, com uma alta produção de trabalhos escritos, participação em eventos, orientações de mestrados e doutorados.
Ele merece a progressão solicitada.


Que legal!, eu pensei. 

Mas o que se seguiu foi o verdadeiro contrassenso. Pasmem comigo: 

Parecer Conclusivo (Reconsideração)

Não recomendado.  A CAS, após análise do parecerista que analisou o recurso do candidato e, após análise do memorial do candidato decidiu por unanimidade manter o resultado de não recomendar a progressão do candidato. O Professor Emilio Haddad realizou concurso para Livre-Docência em 2010 e, nestes últimos dois anos, a CAS considerou não haver produção que justifique sua progressão


Me senti igual ao cordeiro da fábula de Esopo, que com muitos séculos de antecedência era precursora da filosofia política de Maquiavel.

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O lobo e o cordeiro (texto de Monteiro Lobato)

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Estava o cordeiro a beber num córrego, quando apareceu um lobo esfaimado , de horrendo aspecto.
– Que desaforo é esse de turvar a água que venho beber? — disse o monstro arreganhando os dentes.  Espere, que vou castigar tamanha má-criação!…
O cordeirinho, trêmulo de medo,respondeu com inocência:
– Como posso turvar a água que o senhor vai beber se ela corre do senhor para mim?
Era verdade aquilo e o lobo atrapalhou-se com a resposta.  Mas não deu  o rabo a torcer.
– Além disso — inventou ele — sei que você andou falando mal de mim o ano passado.
– Como poderia falar mal do senhor o ano passado, se nasci este ano?
Novamente confundido pela voz da inocência, o lobo insistiu:
– Se não foi você, foi seu irmão mais velho, o que dá no mesmo.
– Como poderia ser meu irmão mais velho, se sou filho único?
O lobo furioso, vendo que com razões claras não vencia o pobrezinho, veio com uma razão de lobo faminto:
– Pois se não foi seu irmão, foi seu pai ou seu avô!
E — nhoc! — sangrou-o no pescoço.


Moral: -Contra a força não há argumentos.
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