
Múmias de gatos ao lado de suas respectivas ossadas reproduzidas por uma impressora 3D: tomógrafo e escâner a serviço da egiptologia (Fonte: Revista FAPESP)
Esta postagem dá sequencia às duas anteriores.
Por muitos anos discutiu-se a necessidade de se dispor de mais níveis na carreira acadêmica da Universidade de São Paulo, que até então praticamente se resumiam a três: Professor Doutor, Professor Associado e Professor Titular. A "subida" de uma classe para outra é feita através dos chamados concursos em que o postulante é examinado por uma banca formada por docentes de maior titulação. A exemplo das Universidades Federais, em julho de 2011, foram introduzidas na carreira da USP subdivisões dos níveis Professor Doutor (que passou a ser Professor Doutor 1 e Professor Doutor 2) e Professor Associado que, por sua vez foi dividida em 3 categorias: Professor Associado 1, 2 ou 3.
Assim a primeira avaliação docente tendo em vista a progressão horizontal carregou consigo a transição do modelo de 3 níveis para o outro modelo de 6 níveis.Todos os professores associados seriam automaticamente transformados em associados 1, e todos os doutores em doutores 1. Professores doutores e assistentes poderiam pleitear serem enquadrados como 2 (no caso de doutores) ou 2 ou 3 (no caso de associados).
Felizmente, o problema que se colocava era de uma definição semitranquila: classificar os Professores Doutores em um de duas classes; do Tipo 1 ou Tipo 2, à exemplo do que se faz com o arroz vendido em supermercado. E os professores associados em Tipo 1, 2 ou 3, analogamente ao leite que pode ser do Tipo A, Tipo B ou Tipo C. Um problema de taxonomia, procedimento básico em diversos ramos da ciência.
Por nascer de uma Resolução aprovada no CO - formidável acrônimo de Conselho Universitário, imaginei que o processo que envolve pessoas e julgamento, e os desafios metodológicos que lhe são inerentes, iria se beneficiar da contribuição científica de membros do conselho especializados no assunto, como o povo da estatística, da lógica, de recursos humanos, de teoria da decisão, e quetais. Porque a avaliação é um procedimento que está presente em várias disciplinas. Aqui em casa, tem eu, que faço trabalhos de avaliação de imóveis e a Ângela, que usou em seu doutorado uma escala para avaliar o comportamento psico-neurológico de bebês.
Reclassificar este contingente todo era um tarefa desafiadora, considerando, de um lado, a diversidade das áreas de conhecimento, o grande número de pessoas envolvidas, e de outro lado, o compromisso de que a análise privilegiaria aspectos qualitativos. Segundo a resolução que instituiu a nova carreira, "indicadores quantitativos podem ser instrumentos de avaliação da qualidade e não o contrário".
Outra novidade: para conduzir a progressão horizontal, ao invés do tradicional concurso usado na progressão vertical, que sera inviável dada a quantidade de casos a serem considerados, foram criadas comissões de avaliação, penduradas na Secretaria Geral, que -- com transparência, seria responsável pelo análise dos encaminhamentos submetidos.
Tratava-se realmente de um projeto instigante, uma bonita proposta: caberia à corporação dos docentes avaliar seus pares. Assim fazendo, ficaria mais livre para exibir os valores com que a academia se autoestima.
A promessa de um approach mais bem ancorado em fundamentos científicos de análise acabou não vingando. Perdeu para a prática costumeira de contabilidade, que é essencial no comércio.
Prosseguindo no assunto, a próxima postagem deverá ter como título: ... e a vaca foi para o brejo
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