Esta estória se deu em Portugal, para onde fui em outubro de 2010 apresentar um trabalho durante o 4o PLURIS - acrônimo de Congresso Luso-brasileiro Para o Planejamento Urbano, Regional, Integrado e Sustentável, que se realizou na cidade do Faro, no Algarve. Como é costumeiro, tivemos o jantar da conferência. Nestes casos prefiro sempre que possível me sentar em mesas ocupadas por desconhecidos ou semi-conhecidos. Engatilhando novas amizades. Assim foi, e eu e Ângela nos enturmamos com um grupo de "patrícios". Entre eles, o prof. Antonio Couto da Universidade do Porto.
Nossos roteiro de viagem, após a conferência, incluía uma estada em Sevilha, na Espanha, atravessar a Extremadura -- onde visitamos Mérida -- e reentrada em Portugal em direção à Bragança, prosseguindo vale do Douro até sua foz na cidade do Porto, que tínhamos interesse em conhecer melhor.
O professor Antônio nos disse que o procurássemos quando estivéssemos na cidade do Porto. Coincidiu nossa passagem num dia de domingo, quando a família dele se reunia na casa da irmã, portuguesa com certeza, vale dizer aquela hospitalidade, para almoçar com o pai deles, evento familiar para o qual acabamos sendo convidados. Estavam entre outros os tres filhos do Prof. Antonio, sua mulher e cunhado.
Não foram poucas as vezes na vida em que acabei acolhido convidado em casa de pessoas que nunca me viram antes mas que sem estranhamento me recebiam como se fosse um irmão. São momentos especiais que permitem um acesso à vida em diferentes lugares e que fazem aprofundar o convencimento de que, neste mundo, viemos todos de um mesmo Pai e uma mesma Mãe
Soube na ocasião que o pai do Prof. António, já senhorzinho, houvera escrito um livro infantil sobre um livro muito feio, que tinha sido o livro caixa de uma drogaria. (Nome dado no Porto para loja de materiais de construção). O livro documentava como a facilitação do pagamento tinha permitido a muitas pessoas construir seus lares. Mas a capa preta (em formatos tenebrosos) do livro causava repugnância por parte dos outros livros coloridos. Foi o que extraí para concluir minha poesia.
A supimpa sobremesa -- sopa fria de dióspiros com canela e vinho do Porto -- impressionou tanto o paladar que acabei servindo na minha festinha de aniversário. Para quem como eu não reconhecia pelo nome aquela fruta, que em italiano se chama "cachi", fica aqui uma imagem:

Dióspiro
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