
Esta postagem dá continuidade ao assunto das três anteriores, versando sobre minha malsucedida tentativa de progressão horizontal na carreira de Professor Associado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.
O processo de progressão horizontal requeria do candidato a apresentação de um memorial, que logo cuidei de preparar. Por se tratar do primeiro processo de progressão horizontal em nossa Universidade, não se dispunha até então algum paradigma que pudesse ser seguido. Fiz o que me pareceu o que deveria ser feito, justificar minha progressão mostrando como e porque me diferencio dos outros professores associados Meu memorial acabou saindo mais discursivo, tem até um introito que começa por citar Camões ("Cantando, espalharei por toda a parte se a tanto me ajudar engenho e arte” (Os Lusíadas, Canto I) que não deve ter prestado para coisa alguma.
Entregue o memorial, fui cuidar de outras coisas, enquanto as "comissões" começaram a por em andamento sua capacidade pensante e imaginação para montar uma metodologia de avaliação, que só foi divulgada após eu ter entregue meu memorial. Infelizmente, para usar um adágio popular, o “cachimbo entorta a boca”, e a avaliação no processo da carreira docente acabou sendo construído dentro de um paradigma de “bancas examinadoras” ao qual nós, professores estamos afeitos. Só que neste caso a banca não se reúne para inquirir o candidato, o que é essencial.
Os "poderes" preferiram pequena sofisticação analítica, como parece lhes convinha. Aí começaram a aparecer as tabelinhas de dupla entrada, em que o avaliador convidado -- a partir da leitura do currículo dava uma espécie de nota para o atributo do candidato. Em seguida, eram transformada em números e somavam. O resultado era comparado com uma "nota de corte", proposta que, pelos descaminhos, foi logo abandonada. E o meu texto que não tinha sido escrito para isso! Quando soube que foi desenvolvido um programa de computador para esse fim, me conscientizei que a vaca tinha ido para o brejo.
Finalmente, passados quase 1 ano, é claro, não deu outra: fui avaliado tão ruim que por pouco iriam propor a cassação de meu título de Livre Docente!!!
O processo de progressão horizontal requeria do candidato a apresentação de um memorial, que logo cuidei de preparar. Por se tratar do primeiro processo de progressão horizontal em nossa Universidade, não se dispunha até então algum paradigma que pudesse ser seguido. Fiz o que me pareceu o que deveria ser feito, justificar minha progressão mostrando como e porque me diferencio dos outros professores associados Meu memorial acabou saindo mais discursivo, tem até um introito que começa por citar Camões ("Cantando, espalharei por toda a parte se a tanto me ajudar engenho e arte” (Os Lusíadas, Canto I) que não deve ter prestado para coisa alguma.
Entregue o memorial, fui cuidar de outras coisas, enquanto as "comissões" começaram a por em andamento sua capacidade pensante e imaginação para montar uma metodologia de avaliação, que só foi divulgada após eu ter entregue meu memorial. Infelizmente, para usar um adágio popular, o “cachimbo entorta a boca”, e a avaliação no processo da carreira docente acabou sendo construído dentro de um paradigma de “bancas examinadoras” ao qual nós, professores estamos afeitos. Só que neste caso a banca não se reúne para inquirir o candidato, o que é essencial.
Os "poderes" preferiram pequena sofisticação analítica, como parece lhes convinha. Aí começaram a aparecer as tabelinhas de dupla entrada, em que o avaliador convidado -- a partir da leitura do currículo dava uma espécie de nota para o atributo do candidato. Em seguida, eram transformada em números e somavam. O resultado era comparado com uma "nota de corte", proposta que, pelos descaminhos, foi logo abandonada. E o meu texto que não tinha sido escrito para isso! Quando soube que foi desenvolvido um programa de computador para esse fim, me conscientizei que a vaca tinha ido para o brejo.
Finalmente, passados quase 1 ano, é claro, não deu outra: fui avaliado tão ruim que por pouco iriam propor a cassação de meu título de Livre Docente!!!
Como era semiesperado, porque baseados em fatores discriminantes pouco ou nada robustos, os resultados foram bem questionados. A percepção geral é a de que pagamos todos um
preço altíssimo ante o amadorismo da academia; sem dúvida, o novo processo de progressão de nível iria requerer um correspondente modelo novo de pensar. Pudemos em seguida presenciar no âmbito da Universidade um amplo processo de reflexão crítica
sobre os descaminhos da progressão horizontal, como nas matérias veiculadas no Jornal da ADUSP.
Há mais um elemento, que embora muito chato ter que mencionar, é importante para a melhor compreensão do contexto. No caso de nossa Faculdade, o descuido
no processo de progressão horizontal possibilitou que fossem expostas velhas desavenças, e re-abrissem velhas chagas, com ingredientes dignos
de uma novela como as televisivas: bate-bocas na Congregação, acusações de
nepotismo, contratação de advogados, desinformação que levam a malentendidos,
ação de bastidores, um grande rebuliço que acabou por fazer aflorar
sentimentos menores, a hipocrisia e a intolerância, quase ódio.
Surpreendente. Fico até pensando o quanto esta dissenção não poderia ser responsável pelo endurecimento dos corações na hora do "fechamento" das avaliações.
Recebi muita pressão de colegas que como eu foram preteridos, para que me juntasse ao grupo que buscou apoio de um advogado, mas fiz prevalecer minha fé de que a razão venceria. Hoje me semiarrependo porque o pessoal que usou o advogado recebeu consideração e pelo que me disseram acompanhada de um pedido de desculpas.
Mas acabei sucumbindo à pressão para que apresentasse recurso, que levei dois dias escrevendo, na tentativa de esclarecer pontos do meu memorial mal entendidos na primeira avaliação, e recebi uma resposta bem simpática, que vou colocar in limine na próxima postagem. (Isto aqui está semivirando um folhetim...)
Recebi muita pressão de colegas que como eu foram preteridos, para que me juntasse ao grupo que buscou apoio de um advogado, mas fiz prevalecer minha fé de que a razão venceria. Hoje me semiarrependo porque o pessoal que usou o advogado recebeu consideração e pelo que me disseram acompanhada de um pedido de desculpas.
Mas acabei sucumbindo à pressão para que apresentasse recurso, que levei dois dias escrevendo, na tentativa de esclarecer pontos do meu memorial mal entendidos na primeira avaliação, e recebi uma resposta bem simpática, que vou colocar in limine na próxima postagem. (Isto aqui está semivirando um folhetim...)
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