
Hoje é dia de Reis. Vou aproveitar este espaço para trocar com meus eventuais leitores umas idéias. Rei sempre tinha sido para mim um arquétipo apropriado para contos infantis, cartas de tarô, ou personagem picaresco. Rei, capitão, soldado, ladrão... Mas temos reis no mundo... real. Reis de reinos, como o da Dinamarca ou do Cambodia, reis de especialidades, como o Pelé, o Elvis, ou o Roberto Carlos, e "soi-disant" reis do comércio local, como o rei das batidas, a rainha do frango assado, ou a rainha da cocada preta.
Fiquei mais tolerante com o conceito de um ser cingido que é adorado e traz a harmonia e a unidade ao pessoal do clube ou de seu povo, nos debates quando, na esteira da Constituição de 1988, tivemos um plebiscito no Brasil para escolher a forma de governo, e ouvi argumentos a favor de um regime monárquico. Parlamentarista, naturalmente. Lula, por exemplo, foi menos presidente do que rei, um rei sem coroa.
No ano de 1993 passei três semanas em Madrid num programa de intercâmbio com a Universidade Complutense, e gostava de ver no "noticero" noturno, a parte dedicada ao dia do rei e da rainha da Espanha. Iam sempre, vestidos em trajes reais ou semireais, participar de eventos do tipo inaugurações. O cortejo era recebido por milhares de bandeirinhas acenadas pelo povo. Me lembro ter visto a entrevista de uma ajudante de cozinha -- às lágrimas -- por ter servido o prato do rei na inauguração de um bandejão.
Neste ano passado tivemos o nascimento do futuro herdeiro do trono britânico, que foi acompanhado com alegria pelos súditos, que viam assim por enquanto a continuidade no poder desta família. E estive em Viena onde a presença dos Habsburgos, serviu para consolidar uma fronteira oriental européia.
Gradualmente, fui aceitando pela sua funcionalidade a ideia de um papel para reis, rainhas, príncipes e princesas neste mundo de humanos. Até vou hoje para o sacrifício e comer aquela porção da "gallete des rois" que me toca.
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